Saúde

Canela: conheça as propriedades desta especiaria usada na culinária há séculos

Na forma de chá ou como tempero, a canela tem diversos usos na culinária e na saúde

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Cinnamomum Verum, a canela verdadeira, possui mais lascas / Pixabay

De sabor doce e levemente picante, a canela é uma especiaria que tem sido usada há milênios. No comércio antigo, ela tinha um valor equivalente ao ouro, mas hoje em dia, é fácil de ser encontrada em mercados e casas de produtos naturais por preços acessíveis. 

A farmacêutica e especialista em fitoterapia Gloria Cristina Porto Coelho explica que, entre as diversas espécies diferentes de canela, duas são muito usadas na alimentação, sendo uma delas a de nome científico Cinnamomum Verum: 

"Ela é proveniente do Sri Lanka. E essa é a canela verdadeira, por isso que chama Cinnamomum Verum. Existe a outra, que é plantada na China, sudoeste asiático, que seria Cinnamomum Cassia. Então quando a gente fala de planta é muito importante saber a espécie, a família, o gênero. Porque seria o RG da planta". 

A falta de identificação na canela vendida na maioria dos estabelecimentos, principalmente na forma de pó, causa dificuldades no uso por conta das propriedades de cada uma. A proveniente da China é rica em um componente chamado cumarina, que é um anticoagulante, já a do Sri Lanka não. A especialista dá a dica para identificar a canela corretamente: 

"Quando você vai no mercado você vê uma canela que tem várias lascas e é meio arredondada. E tem uma que não tem tantas camadas, então aquela que tem várias lascas é realmente a verdadeira e a outra que você percebe que é só um pauzinho, é a canela que a gente diz que não é a verdadeira". 

De acordo com Gloria, a canela tem muitos usos. Pode ser tomada na forma de chá e como tempero, seja salpicando doces ou, até mesmo, carnes, para dar um sabor diferenciado. Ela é rica em óleo essencial, que é o que dá o cheiro característico da planta e pode ser utilizada também para evitar o mau hálito e matar bactérias ao ser mastigada pura. 

"Ela tem várias propriedades, a canela né, porque ela é rica em aldeídos polifenóis, ela tem taninos, então o que acontece. O tanino, ele tem a propriedade adstringente, então normalmente ela poderia ser usada como antidiarréico. Ela é rica em catequinas, então ela também ajuda para náusea". 

Além disso, Gloria afirma que estudos indicam o uso da planta na estabilização dos níveis de insulina no sangue. Ela também é bastante digestiva, antioxidante, anti-inflamatória e antibacteriana. Mas a farmacêutica indica cautela na quantidade na hora de usar:

"Ela é como se fosse um tempero então a gente não pode extrapolar isso de uma forma assim de achar que é gostoso, então eu vou começar a usar indiscriminadamente? Não". 

Existe uma informação difundida de que a canela tem efeitos abortivos. Na verdade , ela influencia nas contrações uterinas, sendo assim, Gloria orienta que grávidas devem evitar o consumo: "Ela é considerada uma planta quente e tudo que é quente vai atingir os órgãos digestivos e a parte ginecológica e pode aumentar as contrações. Por isso que ela é contra indicada na gravidez e para lactantes, pra quem está amamentando, né". 

A fitoterapeuta recomenda o consumo de até seis gramas por dia, que é o equivalente a uma colher rasa de chá. No caso da infusão, o recomendado é usar um pauzinho de canela por xícara de chá e tomar no máximo três por dia. A especialista afirma que, apesar das poucas pesquisas na área e algumas divergências, a segurança vem do conhecimento ancestral:

"O que se usa mesmo, é na parte tradicional, porque é tão antiga, que assim, você pode considerar uma planta segura através da tradicionalidade". 

De acordo com Gloria, o mais indicado é procurar sempre a chamada canela verdadeira, a de nome Cinnamomum Verum. Por ter cerca de 20 vezes menos quantidade de cumarinas do que a Cinnamomum Cassia, ela pode ser ingerida com mais segurança. Mas todas as propriedades citadas acima estão disponíveis nos dois tipos de canela, que podem ser consumidas no dia a dia com moderação para melhor proveito dos seus benefícios. 

Edição: Tayguara Ribeiro