TRANSPORTE

Superfaturamento das empresas de ônibus no Rio chega a R$3,6 bi

Informação consta em relatório alternativo apresentado pelo vereador Tarcísio Motta após a CPI dos Ônibus

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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Para que a tarifa seja reajustada, a Rio Ônibus terá que climatizar toda a frota até 31 de setembro de 2020 / Foto: Tomaz Silva/ Agência Brasil

A passagem de ônibus no município do Rio de Janeiro deve subir de R$ 3,60 para R$ 4. O reajuste da tarifa foi acordado entre a Prefeitura e o Sindicato das Empresas de Ônibus da Cidade do Rio de Janeiro (Rio Ônibus), mas ainda precisa ser autorizado pela Justiça. 

O aumento da passagem significa uma despesa de R$16 por mês para o carioca que pega dois ônibus por dia cinco vezes por semana. Tamires Fortunato é estudante de Pedagogia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). A jovem está preocupada com o reajuste da tarifa, pois está sem o cartão que fornece o passe livre universitário e o aumento da passagem afetará diretamente o seu orçamento. 

“Vai impactar de uma tal forma que a qualidade da minha alimentação vai cair, pois eu terei que priorizar a passagem ou a alimentação, ou uma xerox”, relata a moradora do bairro de Piedade, na zona norte da cidade. 

CPI dos Ônibus

O reajuste tem sido questionado também pelo vereador Tarcísio Motta (PSOL) que produziu um relatório alternativo à CPI dos Ônibus, no qual, após estudos que levaram em consideração a diminuição do número de cobradores e a redução de custos com a implementação do BRT, chegou-se a conclusão de que a tarifa no Rio de Janeiro deveria ser de R$3,09. 

Motta considera absurdo a Prefeitura se render a este acordo. Segundo ele, as empresas de ônibus omitem a sua real receita para buscar aumentar o valor da tarifa.  

“Na conta do que nós investigamos na CPI, pegamos uma diferença de R$ 3,6 bilhões entre as propostas comerciais que foram apresentadas dentro da licitação e a realidade. A diferença está num aumento de gastos que são uma verdadeira caixa preta, são apontados pelas empresas como gastos financeiros, administrativos ou outras despesas”, explica. 

De acordo com o vereador, um dos casos mais emblemáticos envolvendo a falta de transparência está no aluguel das garagens para os coletivos urbanos. 

“A Viação Verdun que é de propriedade do Jacob Barata aluga uma garagem da Verdun Imobiliária, que é de propriedade do mesmo Jacob Barata. O valor que o Barata paga para si mesmo por uma garagem é R$500 mil por mês. Isso é um exemplo claro de que as empresas de ônibus estão omitindo lucros, colocando esses lucros como despesas para fingir que estão em dificuldade financeira e justificar esse aumento da passagem”, afirma Motta. 

Outro Lado

O Brasil de Fato entrou em contato com a Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor) para uma posição quanto às denúncias. A assessoria informou que o Rio Ônibus não comentaria sobre o caso. 

Para que a tarifa seja reajustada, o Rio Ônibus terá que climatizar toda a frota até 31 de setembro de 2020. Até o fim de 2018, 60% dos coletivos terão que estar climatizados. O descumprimento do acordo prevê uma multa de R$ 11 milhões. As empresas terão que assumir também as gratuidades e os ônibus não poderão circular por mais de nove anos. 

Edição: Vivian Virissimo