EDITORIAL

Editorial | Preço da gasolina e soberania nacional

Interesse dos golpistas é privatizar a Petrobras

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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Greve de caminhoneiros contra o preço do diesel é assunto em todo o Brasil / Rafaella Dotta/Brasil de Fato MG

Nesta semana, o Brasil acompanha uma mobilização de caminhoneiros contra o preço do diesel. A principal reivindicação que aparece é contra os impostos que incidem no combustível. A mídia comercial dá grande destaque à mobilização, anunciando paralisação de serviços e tentando criar um clima de caos no país.

Um debate de fundo sobre essa paralisação não pode envolver apenas o tema dos impostos. Aliás, vira e mexe volta para a pauta o tema sobre o grande absurdo que é a carga tributária brasileira, como se esse fosse o maior vilão.

É certo que o país precisa de uma reforma tributária, mas não da forma como geralmente é apresentada: o que é preciso é que os ricos paguem mais e os pobres paguem menos. Simples assim.

Outro aspecto importante que a paralisação de caminhoneiros traz é o aumento dos preços de todos os derivados de petróleo. Não é uma coincidência que a partir de 2016 – depois do golpe do impeachment – a direção da empresa tenha instituído uma nova política de preços, pautada pela variação da cotação do petróleo no mercado internacional. Associado à venda de poços, refinarias e outras medidas entreguistas, a nova gestão da estatal não esconde que deixou de se preocupar com o público e com o desenvolvimento para apenas agradar ao mercado e ao capital.

Encarte especial

Nesta edição, encartamos um especial que relaciona o aumento abusivo dos preços do gás de cozinha, gasolina e diesel com o interesse em privatizar a Petrobras. Não nos enganemos: foi com interesse nessa imensa reserva de recursos que se deu um golpe no Brasil. E esse golpe é responsável por fazer com que quase 20% das residências de Minas Gerais tenha trocado o gás pela lenha para cozinhar.

Estamos assistindo à volta da miséria, do desemprego, do aumento absurdo do custo de vida – energia, transporte, saúde, educação – da ausência de políticas públicas. Chegaram ao ponto de prender – sem provas convincentes ante qualquer tribunal sério do mundo – a maior liderança popular da história do país, o ex-presidente que inclusive celebrou a descoberta do pré-sal e criou com essas reservas o fundo para saúde e educação. Que não existe mais.

A privatização da Petrobrás é um sonho dos golpistas brasileiros que atendem servilmente aos interesses imperialistas. Não devemos poupar esforços para denunciar essas manobras e lutar pela soberania nacional.

O preço da gasolina é a ponta de um projeto que precisamos debater para o país.

Edição: Joana Tavares