Transporte

Greve de caminhoneiros atinge setor de abastecimento de alimentos no Pará

Aumento em média de 70% nos preços dos produtos é um dos reflexos da paralisação contra o reajuste dos combustíveis

Brasil de Fato | Belém (PA)

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Normalmente cerca de 500 veículos abastecem às Centrais, mas apenas 47 conseguiram chegar nesta quinta-feira (24) / Agência Pará / Sidney Oliveira

A paralisação dos caminhoneiros pelo país já atinge o setor de abastecimento de alimentos no Pará. Em Belém motoristas de aplicativo, taxistas e mototaxistas aderiram ao protesto da categoria contra o aumento do preço da gasolina e bloqueiam a entrada do Porto Petrolífero de Miramar, sem poder abastecer as empresas de frotas de ônibus na região metropolitana de Belém e postos de combustíveis sentem o reflexo da manifestação.

Paulo Gomes, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belém (Setransbel), explica que o combustível que abastece a capital paraense chega por navio e há dois dias a entrada do principal ponto de recebimento e abastecimento está bloqueada. Ele explica que caso não seja normalizado o fornecimento de óleo diesel muitos ônibus que atendem os bairros da região metropolitana de Belém não saíram por falta de combustível.

“Cerca de cinco empresas estão com problemas para rodar no domingo, só tem combustível até amanhã e uma grande parte delas, a sua maioria, não tem combustível estocado para rodar na segunda feira (28) ”, diz Gomes.

O Porto de Petrolífero de Miramar está localizado na rodovia Arthur Bernardes, no bairro de Val-de-Cans. O Sindicato dos Combustíveis de Derivados do Petróleo, Gás Natural, Bicombustíveis do Pará (Sindicombustíveis-PA) entrou com um pedido de liminar nesta sexta-feira (25) junto ao Tribunal de Justiça do Estado (TJE-PA) solicitando que a entrada do porto seja desobstruída. 

E nota o sindicato afirmou que “não há falta de combustíveis em Belém, porém, com a interdição do Porto de Miramar, os postos estão impedidos de reabastecer seus estoques” e entre as consequências os serviços públicos como “de urgência e emergência de saúde, transporte público de passageiros, coleta de lixo, manutenção da rede elétrica e de esgoto, distribuição de alimentação, viaturas policiais, entre outros” estão sendo interrompidos.

Se por um lado a manifestação dos caminhoneiros não esteja atingindo diretamente os postos de combustível e empresas de ônibus, o mesmo não se pode dizer das Centrais de Abastecimento do Pará (Ceasa). De acordo com informações do governo do estado, houve uma queda no número de caminhões que chegavam para abastecer o complexo. Apenas “10% conseguiram chegar ao local transportando produtos hortigranjeiros. Em dias normais, cerca de 500 veículos chegam às Centrais, mas nesta quinta-feira (24) apenas 47 conseguiram chegar”.

A diminuição de produtos acarreta no aumento dos preços. A Ceasa informa que a média de aumento equivale a 70% em itens como batata, cebola, tomate e banana. “A saca da cebola, por exemplo, que é comercializada por preços que variam entre R$ 50 ou R$ 60, nesta quinta-feira (24) chegou a R$ 180”.

Com informações Agência Pará

 

Edição: Juca Guimarães