Crise

Temer faz reunião emergencial para avaliar crise; caminhoneiros seguem parados

Presidente golpista assiste continuação dos bloqueios nas rodovias; petroleiros também podem parar

Brasil de Fato| São Paulo (SP)

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Paralisação dos caminhoneiros na Rodovia Presidente Dutra, no Rio de Janeiro / Tânia Rêgo/Agência Brasil

Quase 24 horas depois de permitir o uso das forças armadas para dispersar as manifestações de caminhoneiros que bloqueiam estradas por todo o país, o presidente golpista Michel Temer se reúne em Brasília com ministro do gabinete de crise, criado para monitorar e avaliar a efetividade das medidas tomadas pelo governo contra a paralisação dos caminhoneiros, que protestam contra a política de reajuste do preço dos combustíveis.

Segundo dados divulgados pelo Ministério de Defesa de Temer, há nesta manhã de sábado, 26 de maio, pelo menos 387 pontos com algum tipo de retenção nas rodovias. Outros 132 que estavam bloqueados até ontem  já foram liberados.

O paro dos caminhoneiros completa hoje seis dias. Na última quinta-feira, 24 de maio, o governo federal definiu acordo com algumas lideranças que representavam interesses patronais, mas mesmo assim, várias estradas continuam obstruídas.

Das oito entidades que subscrevem o acordo, sete representam o empresariado do setor. Apenas uma delas, a Federação dos Caminhoneiros Autônomos de Cargas de São Paulo (Fetrabens), de fato fala em nome dos caminhoneiros que estão amotinados em rodovias Brasil.

As duas entidades mais representativas dos caminhoneiros recusaram as propostas do governo, colocadas à mesa  pelo ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha: a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), que representa cerca de um milhão de caminhoneiros, e a União Nacional dos Caminhoneiros (Unicam).

Além delas o acordo não foi endossado pelo Sindicato dos Transportadores Autônomos de Carga de Ijuí (Sinditac-RS), Associação Nacional das Empresas de Transporte Rodoviário de Cargas (NTC & Logística) e a Transporte Forte Digital, que ontem haviam participado da reunião com a Casa Civil, segundo o site Congresso em Foco.

Participam da reunião com Temer os ministros Raul Jungmann, da Segurança Pública, Sérgio Etchegoyen, do Gabinete de Segurança Institucional, o general Silva e Luna, da Defesa, e Eliseu Padilha, da Casa Civil. Após a reunião, os ministros devem divulgar, em entrevista coletiva, um balanço das ações.

As principais frentes representativas dos movimentos populares, Frente Brasil Popular e Frente Povo Sem medo, soltaram nota pública contra o aumento do combustível e a repressão militar. Além disso, responsabilizam Temer e Pedro Parente, atual presidente da Petrobrás, pela política de preços flutuantes em paridade com os ajustes internacionais.

Para as frentes há um objetivo claro de desmonte e privatização da Petrobrás.“Não é papel das forças armadas corrigir os erros de um governo sem legitimidade. Não podemos aceitar que Pedro Parente continue a frente da Petrobras.”, finaliza a nota.

Sem prazo para a paralisação dos caminhoneiros se encerrar, os os petroleiros já ensaiam um movimento grevista para os próximos dias, de acordo com a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), que já manifestou apoio à paralisação contra a alta do combustível, a categoria está unida contra a tentativa de sucateamento da estatal e das refinarias brasileiras e critica a gestão do presidente da petrolífera.

 

Edição: Juca Guimarães