Desmonte

Assistentes sociais são agredidos por seguranças da Direção Central do INSS

Manifestantes foram impedidos de fazer ato contra o desmonte e extinção do Serviço Social na Previdência

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Ficou definida uma agenda para 6 de junho com a presidente interina da direção central do INSS, Karina Argolo / Fenasps

Assistentes sociais dos serviços previdenciários foram agredidos na tarde desta segunda-feira (28), dentro do prédio da direção central do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), em Brasília (DF).

A ação truculenta dos seguranças, conforme vídeos e imagens registradas, contra os manifestantes impediu a entrada ao prédio, onde eles iriam realizar um ato contra o desmonte e extinção do Serviço Social do INSS, que segundo a direção da categoria vem se intensificado com a ingerência da Associação Nacional dos Médicos Peritos (ANMP) na gestão do INSS.

“Chegamos para um ato pacífico, que estava na programação do evento, que está no site da entidade, a Fenasps, e fomos barrados para entrar no saguão. As portas estavam meio fechadas. Havia um número enorme de vigilantes, que [normalmente] não existem naquela autarquia. Um grupo tentou entrar, outro tentou sair, não deixaram. Houve um grande empurra-empurra. Muita violência. Eu fui agredido. Levei um chute na perna”, relata Ailton Marques de Vasconcelos, diretor da Federação Nacional de Sindicatos de Trabalhadores em saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social (Fenasps), que é servidor da Casa.

Vasconcelos registrou boletim de ocorrência no 5º DP e fez o exame de corpo de delito em razão das lesões na perna, assim como mais dois diretores da regionais Bahia e São Paulo.  “Deram uma gravata no rapaz, deram murros e derrubaram pessoas. E grande parte do público que estava lá eram mulheres”.

Dessa forma foi encerrado o 2º Encontro Nacional em defesa da Previdência Social e do Serviço Social no INSS, realizado nos dias 26 e 27 de maio, contra as medidas que estão sendo adotadas para desmonte dos serviços previdenciários.

“O encontro tinha como norte discutir o que diz respeito ao trabalho desses servidores do INSS, os desafios e as restrições de direitos que vêm ocorrendo, por parte da política previdenciária, que está sendo implementada através da autarquia do INSS”, resume Ailton.

O INSS e Ministério do Desenvolvimento Social tem publicado, segundo o dirigente, medidas que dificultam a atuação profissional dos assistentes sociais, impondo a precarização do trabalho, como corte de benefícios, entre outras medidas negociadas com o governo Temer.

A inovação tecnológica tem prejudicado o acesso aos direitos da população que recorre às agências do INSS, que não encontram a figura do assistente social, mas apenas canais digitais. “Há uma política que está vinculada no contexto da reforma da Previdência, na questão da Emenda Constitucional 95 e a 93, que seja desvincular recursos da União e de não ter contratação de servidores públicos para atender à população”, diz Vasconcelos.

A pauta de reivindicações da categoria, encaminhada pela Fenasps em dezembro do ano passado, não foi respondida. Os manifestantes pediram uma audiência imediata para esta terça-feira (29), não foram recebidos. Ficou definida uma agenda para 6 de junho com a presidente interina da Diretoria de Saúde do Trabalhador (Disart), Karina Argolo.

Até o fechamento da matéria, a assessoria de imprensa da Diretoria de Saúde do Trabalhador do Instituto Nacional do Seguro Social não encaminhou nota para esclarecer o ocorrido.

Edição: Juca Guimarães