Greve

Exportar petróleo cru e importar o derivado não faz sentido, diz diretor da FUP

João Antônio de Moraes avalia que o país possui capacidade de refino suficiente para atender o mercado interno

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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João Antônio de Moraes, diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP) / Divulgação/FUP

A nova política da Petrobras de vender petróleo cru e importar o derivado, instaurada na gestão de Pedro Parente, o nomeado de Michel temer (MDB) para a presidência da estatal, não faz sentido do ponto de vista técnico. Essa é a avaliação de João Antônio de Moraes, diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP), que concedeu entrevista à Rádio Brasil de Fato nesta terça-feira (29).

Segundo ele, essa postura condena ainda o brasileiro a pagar duas vezes: nos preços altos e no desemprego gerado por este tipo de política, que privilegia o cenário e as empresas internacionais. O diretor da FUP falou também sobre a greve de 72 horas programada pelos petroleiros para iniciar à meia-noite desta quarta-feira (30).

Confira:

Brasil de Fato – Qual a pauta de reivindicação dos petroleiros?

João Antônio de Moraes – A nossa pauta, da Federação Única dos Petroleiros, ela dialoga bastante com a pauta dos caminhoneiros no item principal que é a redução do preço dos combustíveis. No entanto, a gente reivindica a redução do preço de todos os combustíveis. Notadamente, além do óleo diesel, como os caminhoneiros reivindicam, nós queremos também a redução do preço da gasolina, e, principalmente, a redução do gás de cozinha.

O que estamos vivendo em relação ao preço deste derivado de petróleo é um absurdo ainda maior, levando hoje 17% das famílias brasileiras a terem que queimar lenha para cozinhar por falta de condições financeiras de comprar um botijão de gás depois de diversos aumentos e da equiparação aos preços internacionais promovida pelo Michel Temer e pelo Pedro Parente.

Reivindicamos ainda a retomada da produção de derivados de petróleo nas refinarias brasileiras da Petrobras, porque, em função deste aumentos, as nossas refinarias operam hoje com carga reduzida porque o aumento foi tão grande que abriu espaço para a importação de gasolina.

Também reivindicamos a paralisação do processo de privatização da Petrobras. Esses são os três pilares da nossa pauta de reivindicação.

Na análise da FUP o que tem gerado essa crise com combustíveis?

O que conduziu o Brasil para essa crise tão crítica é que após o golpe de 2016, que tirou a presidenta da república escolhida pelo povo, assume Michel Temer e ele coloca no comando da Petrobras o Pedro Parente. Após isso, ele começou a tomar uma série de medidas neoliberais que visava, acima de tudo, facilitar o caminho para as petroleiras estrangeiras.

Uma das medidas que ele tomou foi passar a aumentar o preço dos combustíveis e parear ele com o preço internacional, levando a permanentes reajustes. Mas por que ele fez isso? Porque as petroleiras internacionais exigiram que, para fazerem negócios no Brasil, elas precisavam do aumento no preço dos combustíveis.

É importante que se diga que isso era absolutamente desnecessário já que o Brasil produz o petróleo que consome e as refinarias brasileiras têm capacidade para abastecer o mercado nacional.

Gostaria que você explicasse como se dá esse processo de produção e importação do petróleo no Brasil.

É um contrassenso, uma loucura o que a gente está vivendo porque o Brasil exporta petróleo cru e importamos o derivado, enquanto as nossas refinarias operam com carga reduzida.

Quer dizer, é uma opção política do governo. Não faz o menor sentido do ponto de vista técnico, uma vez que nós temos capacidade de refino. Nós estamos pagando duas vezes: paga com os preços exorbitantes e paga com o desemprego que sem sido gerado com essas medidas.

Edição: Tayguara Ribeiro