Combustíveis

Sob Temer, Brasil importa 53% mais gasolina e 63% mais diesel

Governo federal abriu mão da soberania para agradar ao mercado; Petrobras teria capacidade para suprir demanda do país

Brasil de Fato | Brasília (DF)

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Alta dos combustíveis foi causada pela nova política de preços da Petrobras / Foto: Marcelo Casal /Agencia Brasil

O aumento expressivo das importações de derivados de petróleo sob o governo golpista de Michel Temer (MDB) tem sido o foco das críticas da oposição ao papel do governo no processo que levou às greves de caminhoneiros por todo o país.

A compra de gasolina junto a multinacionais, por exemplo, saltou 53% em 2017. Já a importação de diesel subiu 63,6 % no mesmo período. A participação dos Estados Unidos é central nesse processo: entre 2015 e 2017, as importações de diesel norte-americano dobraram, passando de 41% para 82% do total importado.

Ao mesmo tempo, a Petrobras tem batido recordes de exportação de petróleo cru. No ano passado, foram 400 milhões de barris vendidos para serem refinados fora do país.

A junção desses movimentos –mais importação de derivados refinados e mais exportação de petróleo cru– é responsável por uma ociosidade de pelo menos 25% da capacidade instalada nas refinarias brasileiras.

E a política de preços, lançada em julho de 2017, provocou impactos na cadeia de venda dos diferentes combustíveis. O preço da gasolina nas refinarias, por exemplo, subiu 57%. Já o diesel aumentou 57,8%.

Os dados são de um relatório preparado pela liderança do Partido dos Trabalhadores no Senado a partir de fontes públicas, e que tem subsidiado os parlamentares no embate com os governistas.

Lógica de mercado

“A Petrobras está sendo administrada sob a lógica do mercado. Quem está sendo contemplado com essa política do Pedro Parente [atual presidente da estatal] são os acionistas internacionais, que exigem a subida imediata de preços”, critica o deputado Ivan Valente (Psol-SP).

O vice-presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Divanilton Pereira, destaca o receio do campo popular de que a política atual leve à privatização da Petrobras.

“Está em curso a privatização da empresa, e o refino faz parte disso, então, ele entrega as quatro refinarias, baixa a capacidade de produção interna e coloca preços que as empresas estrangeiras querem praticar no Brasil. É uma condição pra comprarem as refinarias”, relaciona.

O dirigente defende a queda de Pedro Parente e uma mudança de rumo na atuação da empresa. A entidade acompanha com atenção o anúncio feito recentemente pelo governo para colocar à venda 60% de quatro refinarias da estatal.  

À lenha

Pereira destaca que a cartilha atual da Petrobras penaliza o conjunto da classe trabalhadora porque o preço cobrado pelas refinarias repercute diretamente no transporte público e nas bombas.

Ele defende que sejam feitas mudanças estruturais capazes de baratear o preço de todos os produtos que chegam ao consumidor.

“Aparentemente, estamos discutindo o diesel, mas o problema permanece, por exemplo, com a gasolina e a extorsão no gás de cozinha. Um milhão e 200 mil famílias agora estão usando fogão à lenha porque o preço está absolutamente extorsivo”, criticou.

O dado citado pelo dirigente foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e se refere ao número de domicílios que passaram a usar, em 2017, lenha e carvão como alternativa ao gás para cozinhar.

Edição: Diego Sartorato