Juventude

RJ: Acampamento do Levante Popular da Juventude propõe novas ideias para o Brasil

Jovens secundaristas, universitários e trabalhadores se reúnem até domingo em Nova Iguaçu

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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Jovens estiveram na Reduc para apoiar causa de petroleiros contra desmonte da Petrobras / Levante Popular da Juventude

O processo de eleições no Brasil não é o único momento em que a população pode realizar mudanças em direção a um país mais democrático, igualitário e progressista. Esse é o lema do Levante Popular da Juventude, que iniciou nesta quinta-feira (31) a terceira edição do acampamento estadual do Rio de Janeiro, na Reserva ambiental dos Petroleiros, no Tinguá, em Nova Iguaçu.

Durante os quatro dias de acampamento, aproximadamente 500 jovens universitários, secundaristas e trabalhadores das periferias discutirão ações e estratégias do Projeto Popular, reconhecendo que cada pessoa deve ser protagonista das transformações da sua própria realidade. Mudanças estruturais, como a reforma agrária, tributária, urbana e das comunicações estão no horizonte de lutas do Levante.

Para Rebbeca Vieira, que cursa mestrado em Antropologia na Universidade Federal Fluminense (UFF) e integra o Levante desde 2016, quando houve a ocupação da universidade, a conjuntura de golpe no país só reforça a necessidade de que a juventude pense e faça o novo no longo prazo. Graduada em História, ela lembra que a atual farsa é a repetição de um momento já vivido no Brasil.

“Você consegue ver que está todo mundo ali para construir, porque tem que construir algo melhor, é a juventude que tem que fazer, pensar um mundo novo, fazer um trabalho de longo prazo, sem contrariar a ideia de via eleitoral, mas entendendo que são processos. Estamos novamente em uma situação muito parecida com o passado do Brasil, agora como farsa. Qual é a solução? Se pensarmos na mudança do indivíduo, na construção popular, a chance de dar certo é maior do que apostar todas as fichas em um único processo [o eleitoral], que tem período curto de vigência e que independe deles para continuar, até porque estamos dentro de um golpe”, avalia Rebbeca.

Atuante desde 2012 também no combate às impunidades da ditadura militar, a partir da ação dos escrachos, que consistiam em expor torturadores, assim como fizeram ativistas de países do Cone Sul, como Argentina, Chile e Uruguai, o Levante recebeu das mãos da então presidenta Dilma Rousseff o Prêmio Direitos Humanos. À época, discutia-se a criação da Comissão Nacional da Verdade.

VOLTA ÀS BASES

Membro da coordenação nacional do Levante, Rodrigo Suñe explica que um dos objetivos do movimento é fazer o caminho de volta às bases, pela organização, pela formação e pela luta. O Levante surgiu dos movimentos populares da Via Campesina, como os trabalhadores rurais sem terra (MST), os atingidos por barragens (MAB), pequenos agricultores (MPA), além da Consulta Popular (CP).

“O Levante, apesar de ser uma organização de juventude que traz novas formas e métodos de construção de luta, nunca esquece que isso faz parte do resgate do acúmulo da classe trabalhadora. Quando a gente traz os elementos da agitação e da propaganda, quando a gente faz o debate da relação entre cultura e política, quando a gente reforça que todo nosso militante tem que fazer trabalho de base e estar presente e enraizado no cotidiano do nosso povo, a gente não está inventando nada, mas resgatando o que a esquerda brasileira secundarizou num determinado momento”, analisa Suñe.

Com diferentes frentes de luta (Territorial, Estudantil e Camponesa) e setores (Mulheres, Negros e Negras e Diversidade Sexual e Gênero), o Levante é solidário às grandes lutas progressistas e trabalhistas do país. No segundo dia de acampamento, a juventude esteve na Refinaria Duque de Caxias (Reduc) ao lado dos petroleiros para dizer que a Petrobras não se vende.

“O Levante é o novo também, mas é o novo que respeita o legado de uma esquerda que há muito tempo faz luta no nosso país. Queremos resgatar tudo o que foi a experiência da classe trabalhadora no Brasil e dialogar com a realidade do século XXI. Os novos tempos exigem a capacidade de traduzir o legado para a vida concreta que a juventude vive hoje”, afirma o membro da coordenação nacional do movimento.

Até domingo (3), a juventude do acampamento do Levante vai se reunir no encontro com lideranças políticas e de movimentos populares, sindicatos e trabalhadores de diversas categorias em debates sobre estratégias e ações conjuntas.

Edição: Vivian Virissimo