Saúde

Artigo | Autocuidado e saúde mental das mulheres

O machismo como expressão de uma sociedade patriarcal promove um cotidiano violento para as mulheres e gera adoecimentos

João Pessoa (PB)

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Pensar o cuidado com a saúde das mulheres perpassa por um olhar integral em relação às suas condições de vida. / Divulgação

A Organização Mundial de Saúde (OMS) vem há muito tempo alertando sobre os impactos dos determinantes sociais na saúde. São fatores sociais, econômicos, culturais, étnicos/raciais, psicológicos e comportamentais que influenciam no adoecimento da população. A desigualdade de gênero, o machismo, a violência doméstica e sexual e tantas outras violências contra a mulher agravam esse adoecimento.

 

Historicamente, a medicalização do corpo feminino e do sofrimento mental das mulheres provocou alienação sobre seus processos fisiológicos, bem como a destruição de suas redes de apoio, servindo aos anseios da sociedade patriarcal e capitalista. Na conjuntura atual, com a perda de direitos sociais, as mulheres encontram-se ainda mais vulneráveis, necessitando de políticas públicas eficientes para o pleno exercício de seus diversos papéis na sociedade. A Emenda Constitucional 95, que congela os gastos sociais do governo, já está afetando as políticas de Atenção Básica e de Saúde Mental, atingindo mais intensamente o público feminino. 



A depressão e a ansiedade são os transtornos mentais mais prevalentes nas mulheres. Muitas vezes, elas ficam responsáveis pelo cuidado dos doentes da família, dos idosos e, principalmente, das crianças. Os trabalhos doméstico e profissional acabam gerando fadiga e exaustão. Geralmente, essas dificuldades são invisibilizadas pelos profissionais de saúde. 



Nesse sentido, pensar o cuidado das mulheres perpassa pelo olhar integral em relação às suas condições de vida e aos aspectos de cada ciclo (infância, vida adulta e envelhecimento). Esse olhar deve se pautar pelo fortalecimento do feminino, por meio da educação sobre seus corpos e sua sexualidade, e pelo autocuidado, com a oferta de práticas integrativas já disponibilizadas pelo SUS.  



Nessa perspectiva, ações que evitem intervenções desnecessárias, como o excesso de medicamentos ou cirurgias, devem ser intensificadas nos serviços de saúde. As práticas coletivas, como rodas de conversa, podem proporcionar o compartilhamento de alegrias e angústias. A Educação em Saúde é fundamental para que as mulheres possam decidir sobre seus corpos e tomar consciência das situações de violência e de opressão em que vivem.


*Jornalista e estudante de medicina na UFPB.

Edição: Paula Adissi