ORIENTE MÉDIO

Premiê da Jordânia cai após protestos contra austeridade e aumento de combustíveis

Rei Abdullah II revogou reajustes, que atingiram gasolina e eletricidade, e indicou um novo premiê; país atravessa crise

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Protestos contra medida de austeridade levaram à renúncia do premiê na Jordânia / Wikimedia Commons

Hani Mulki, primeiro-ministro da Jordânia, renunciou ao cargo nesta segunda-feira (4), em meio à uma onda de protestos contra medidas de austeridade impostas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), reformas tributárias e aumento do preço de itens básicos como pão, energia e combustível. No lugar de Mulki, o Rei Abdullah II empossou Omar Razzar.

Segundo reportagem da Rádio França Internacional, direto da capital do país, Amã, epicentro dos protestos que se espalham pelo país árabe, os manifestantes pedem a mudança das políticas implementadas, para além das alterações em quem ocupa os cargos de governo.

Uma delas é em relação ao projeto de lei que tramita no parlamento da Jordânia que propõe um aumento em 5% da taxação de renda sobre trabalhadores contribuintes e de 20 a 40% para empresas. Mulki defendia que a reforma fiscal protegeria os mais pobres, aumentando a contribuição dos mais ricos. Porém, sindicatos representativos dos trabalhadores do país argumentam que o pacote “aumenta as disparidades sociais” na Jordânia.

Outro fator que impulsionou a revolta foi o corte do subsídio ao pão, que dobrou o valor do produto. Em decorrência dos protestos, o Rei Abdullah II revogou, na última sexta-feira (1), o aumento dos preços de combustível e eletricidade.

Crise

A Jordânia passa atualmente por uma crise econômica. A dívida pública do país atinge US$ 38 bilhões, ou seja, 95,3% do seu Produto Interno Bruto. A taxa de desemprego é próxima aos 18%. Além disso, as guerras nos países vizinhos Iraque e Síria fizeram com que o país de 9 milhões de habitantes recebesse um enorme fluxo de imigrantes, aumentando os gastos públicos.

Em 2016, o país recebeu um crédito de US$ 723 milhões do FMI, vinculado à uma reforma econômica para diminuir a dívida pública, em conjunto com medidas de austeridade. Para complicar ainda mais a situação, países do Golfo Pérsico cancelaram um programa de ajuda externa ao país, que espera uma ajuda financeira de mais de US$ 6 bilhões dos EUA nos próximos anos.

Protestos pacíficos

Os protestos têm acontecido em clima de relativa tranquilidade, cercados por um forte aparato de segurança das forças policiais e do Exército. O próprio Rei Abdullah II conversou com militares para garantir o direito ao protesto dos manifestantes e disse estar “orgulhoso de ser jordaniano”.

Em entrevista à RFI, a jornalista Rawan acredita que o país paga o preço das suas decisões políticas e espera que as manifestações possam “acabar com a corrupção, alimentar o crescimento econômico e fazer as mulheres participarem mais da força de trabalho”.

*Com informações da RFI e do Portal Vermelho.

Edição: Vivian Neves Fernandes