DESCASO

Abandono das praças diminui o acesso ao lazer em Petrolina, no sertão de Pernambuco

Além da pouca manutenção, falta de segurança também preocupa moradores

Brasil de Fato | Petrolina

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Uma canal de esgoto a céu aberto preocupa moradores no bairro Loteamento Recife, na zona leste da cidade. / Vanessa Gonzaga

Em Petrolina, no Sertão do São Francisco, são frequentes as denúncias de abandono das praças da cidade nos bairros e no centro, onde os espaços que deveriam servir como um local de lazer, prática de esportes e integração acabam se tornando  espaços mal iluminados, sem nenhum tipo de manutenção e até mesmo perigosos.

 

José Ramos tem 73 anos e mora no loteamento Recife, na Zona Leste de Petrolina. Lá, há 23 anos, trabalha como comerciante na única praça do bairro. Ele revela que a praça surgiu por iniciativa dele e de outros moradores, e não do poder público municipal “Quando eu cheguei isso aqui estava abandonado. Aí eu e mais o outro rapaz que tem um barraco aqui na praça começamos a cuidar, a limpar. Todas essas árvores aqui fui eu que plantei, tem seis umbuzeiros, que estão quase entrando em extinção. São todas nativas e até registro do IBAMA tem. Lembro que na época tinha uma campanha ‘Adote uma Praça’, e eu acabei me tornando responsável por essa, me prometeram que iam ajudar mas andaram aqui uma vez só e nunca voltaram”. José afirma também que a situação da praça impacta no andamento do comércio “Depois da reforma que fizeram há alguns anos o movimento no comércio melhorou, mas, agora tá ruim”. 



As mais de 20 árvores, plantadas por seu José, deixam o espaço mais agradável, mas muitas coisas precisam ser melhoradas. A praça é cercada por um canal de esgoto que fica à céu aberto, podendo ser perigoso para crianças e quem anda por lá. Além disso, não há lixeiras ou limpeza frequente na praça. “De dia tem mais gente pra usar esses aparelhos de atividade física. A situação poderia melhorar, precisava ter alguém pra cuidar das plantas, ter lixeiros. De noite é difícil frequentar porque todo mundo tem medo de roubo, ninguém se arrisca, porque tá faltando iluminação.” afirma Paulo José Barbosa, 61, que mora no bairro há dois anos e necessita fazer atividade física por recomendações médicas, mas não consegue porque grande parte dos aparelhos estão quebrados. 



A Praça da Sementeira fica no centro da cidade e, pela sua localização, é uma das praças que recebe mais cuidado da prefeitura, ao contrário das praças dos bairros, porém, ainda assim, a manutenção tem sido insuficiente. A praça, que já havia sido contemplada com o programa “Academia das Cidades”, hoje não tem a estrutura mantida, como foi previsto. Grande parte dos aparelhos estão quebrados e o quiosque que abrigava os materiais para a prática de atividades como zumba e aeróbica estão trancados e sem uso. Clarivaldo Azevedo tem 20 anos, é b-boy, e percebeu como a praça tem sido abandonada com o passar do tempo “Esse espaço que guardavam os materiais até segurança tinha, mas hoje está aí trancado e abandonado há uns quatro anos. Nós tivemos que mudar os locais do treino do nosso grupo porque não tinha lâmpada no quiosque que usamos e também estava sem energia, então não dava pra treinar sem luz e sem música. Aí fomos revezando os treinos no Parque Municipal ou na Praça do Pedra Linda, mas lá é bem largado”. 



Apesar de ser uma das maiores praças da cidade, é visível a situação de abandono. O chafariz foi desativado, muitos brinquedos estão quebrados e enferrujados, os quiosques têm telhas quebradas e a quadra precisa de manutenção, já que a estrutura de redes e grades está danificada. 



“A estrutura da praça é boa, mas já tem aparecido problemas, falta de energia, brinquedos quebrados. Mas ainda assim é melhor que a praça do Pedra Linda, que está completamente abandonada” reforça Thaila Cavalcante, que é doméstica e traz suas duas filhas para a praça diariamente. Morando há poucos meses no bairro, vinda do Pedra Linda, que fica na Zona Norte da cidade, ela já percebe a necessidade de manutenção dos aparelhos da praça. 

Com a situação de descaso, os moradores entendem que o poder público municipal precisa cuidar melhor dos espaços construídos. “As autoridades deveriam cuidar mais disso porque é um espaço que a juventude passa boa parte do tempo. Aqui tá bem esquecido, as pessoas têm deixado de frequentar aqui porque nada tem uma estrutura boa”, reforça Clarivaldo.

Edição: Monyse Ravenna