Democracia

“Lula é a porta de saída da crise”, afirma dirigente do MST

João Pedro Stédile afirma que os movimentos populares devem se mobilizar para garantir eleições democráticas

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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Na noite de sexta-feira(08), participantes da jornada realizaram um grande ato em defesa da democracia e pela libertação do ex-presidente. / Giorgia Prates

“O Lula é a porta de saída da crise”, afirmou o dirigente nacional do Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, João Pedro Stédile, durante coletiva de imprensa realizada na tarde desta sexta-feira (8) na  17ª Jornada de Agroecologia, em Curitiba (PR).

“Nós vivemos momentos de instabilidade política e a única solução é garantirmos eleições democráticas, ou seja, que todos os candidatos participem”, avaliou o dirigente do MST.

Stédile afirmou que os movimentos sociais devem intensificar as mobilizações a fim de garantir a candidatura de Lula. “Uma eleição nesse país sem o Lula, é fraude. Estamos aqui em solidariedade ao ex-presidente”, bradou.

Na noite de sexta-feira(08), participantes da jornada realizaram um grande ato em defesa da democracia e pela libertação do ex-presidente. A marcha saiu da praça Santos Andrade, no Centro de Curitiba, e seguiu até a praça Olga Benário, em frente a sede da Polícia Federal, onde Lula está preso há mais de 60 dias. Ao chegar no local, os manifestantes fizeram uma saudação e acenderam velas para enviar luzes ao preso político.

Stédile afirma que a prisão de Lula não está baseada em fatos. Segundo ele, trata-se de uma forma de consolidar o golpe iniciado com o impeachment que derrubou a presidenta Dilma Rousseff. Segundo o dirigente, a prisão é uma tentativa de criar um problema político que o impeça de ser candidato. “Eles sabem: Lula ganha as eleições no primeiro turno”.

Dados de uma pesquisa realizada em maio pelo Instituto Vox Populi apontam que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera as intenções de voto na disputa pela Presidência da República em todos os cenários testados. Stédile avalia que uma possível vitória eleitoral do Lula nas eleições de outubro abriria um processo de debate na sociedade brasileira.

O dirigente do MST pontuou a convocação de plebiscito popular revogatório da Reforma Trabalhista e da PEC que limita os gastos públicos como algumas das principais ações que devem ser adotadas. "Imagine a população durante dois ou três meses só discutindo esses temas. Isso daria um nível de politização e participação popular impressionante”, afirmou.

Stédile aponta a Reforma Tributária como uma das mais urgentes. “Não há paraíso fiscal melhor no mundo para a burguesia que o Brasil. Aqui o cara ganha royalties e dividendos sem pagar impostos”, avaliou. No Brasil, os mais pobres gastam grande percentual de sua renda em impostos, enquanto os ricos e os super-ricos pagam menos.

Um estudo elaborado pela Oxfam, em 2017, indica que os 10% mais pobre da população brasileira gastam 32% da renda em tributos, contra 21% dos 10% mais ricos. Segundo a organização não governamental isso ocorre porque os mais pobres e os mais ricos pagam o mesmo tributo sobre uma mercadoria ou um serviço consumido, mas o imposto pesa mais no orçamento das famílias que ganham menos.

 

 

 

Edição: Laís Melo