Jornada

Movimentos populares defendem a agroecologia como o modelo de produção de alimentos

Tema foi debatido durante a 17ª Jornada de Agroecologia realizada em Curitiba

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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Partilha das sementes / Giorgia Prates

“Essa Jornada de Agroecologia é uma espécie de colheita do que nós construímos ao longo desses 17 anos de giro no Paraná”, avalia Roberto Baggio, integrante da 17ª Jornada de Agroecologia e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). A atividade foi realizada em Curitiba, entre os dias 6 e 9 de junho, e reuniu mais de 10 mil participantes.

“Quem passou aqui nesses quatro dias respirou, sentiu e visualizou o que é o embrião de uma sociedade diferente”, afirma Baggio. Ao longo da jornada, participaram 126 feirantes e foram comercializadas 12,5 toneladas de 60 alimentos agroecológicos. 

Baggio acredita que a realização da feira, dos seminários,das oficinas e das conferências contribuiu para aproximar e ampliar o diálogo entre a população da cidade e o produtor rural. “Cada vez mais, a sociedade paranaense, brasileira e internacional quer se alimentar de comida saudável”, afirma.

Agroecologia na cidade

Diferente das jornadas anteriores, “dessa vez a decisão foi de ampliar o diálogo com a sociedade", explica Amelindo Rosa, integrante do setor de produção do MST. "Por isso, trouxemos a feira para a praça e convidamos vários artistas, justamente para mostrar o debate que os camponeses vem fazendo. Aqui, além do debate teórico, está a prática”, afirma Rosa. As jornadas anteriores foram realizadas em universidades ou em centros de convenções. 

A integrante da secretaria geral da Jornada, Jaqueline Pivato, afirma que o evento é um palco de experiências e intercâmbios nas técnicas e nas teorias da prática em agroecologia. “A diversidade de pessoas que participaram das atividades nos mostrou que há um amplo campo da sociedade interessado nos temas que foram debatidos ao longo desses quatro dias”, avaliou.

“Comer é um ato político”

Pivato destaca que “defender a agroecologia é defender a vida. Se a gente se importa em ter qualidade de vida, saúde e não quer ficar refém do mercado, a agroecologia é a única saída”. 

Ela também explica que esta é uma outra forma de enxergar a vida nas mais diversas dimensões. “A agroecologia ultrapassa as relações de produção e vai para as relações humanas: no trabalho e na cultura. O comer está para além de uma necessidade fisiológica. É um ato político”, avalia.

Pivato acredita que a reforma agrária “é o primeiro passo para garantir a produção de alimentos saudáveis para alimentar a população e a humanidade”.

Agroecologia e cultura

A integrante da equipe de produção cultural da jornada, Silviane Guilherme, avalia que “a cultura foi mais um espaço de mediação com a sociedade. Inclusive, identificamos que houve maior participação espontânea do público da cidade do que do nosso pessoal, que estava envolvido com as oficinas seminários e conferências”. 180 artistas e produtores culturais participaram ao longo desses quatro dias. 

Nesta edição, o evento de abertura foi realizado no teatro Guaíra, espaço onde, há 33 anos, foi realizado o primeiro congresso nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e que contou com a presença do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva.

Conscientização

A integrante da coordenação nacional do MST, Ceres Hadich, explica que a jornada é uma atividade de caráter nacional e internacional que acontece desde o ano de 2002 no Paraná. Segundo ela, a atividade surge pela demanda dos movimentos populares do campo e diferentes sujeitos envolvidos com a agricultura familiar, entre eles: sindicatos, universidades e organizações da agricultura familiar.

O coordenador nacional do MST, João Pedro Stedile, acredita que “em todos esses anos de jornada, a grande vitória que nós tivemos foi de termos criado uma consciência na população de que esses produtos que as multinacionais nos empurram nos supermercados estão contaminados com venenos, que causam graves problemas de saúde”. 

Stedile destacou a grave crise econômica social e política que o Brasil vive. “E Curitiba, por incrível que pareça, se transformou em um símbolo da opressão, pelo fato da prisão do nosso companheiro Lula estar aqui. Nós aproveitamos esse momento e a presença de tantos companheiros do interior para manifestar nossa solidariedade ao Lula. Para manifestar nossa indignação contra o poder judiciário”. 

Na noite de sexta-feira (08), os participantes da jornada realizaram um grande ato em defesa da democracia e pela libertação do ex-presidente. 

A marcha partiu da praça Santos Andrade, no Centro de Curitiba, e seguiu até a praça Olga Benário, em frente a sede da Polícia Federal, onde Lula está preso.  No local, os manifestantes fizeram uma saudação e acenderam velas para enviar luzes ao preso político.

Edição: Daniela Stefano