Tá na TV, deu o que falar

Coluna Bafafá | E a Copa chegou!

A televisão está se esforçando para que a população se interesse pelo seu produto, o mundial

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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Na TV aberta, os jogos serão exibidos exclusivamente pela Rede Globo – vem muito Galvão Bueno por aí, babando por Neymar! / Reprodução

Eis que, passados quatro anos, já estamos em mais uma Copa do Mundo. Na última quinta-feira, dia 14, foi exibida na TV a abertura do mundial de futebol com o seu primeiro jogo. Mas há algo contraditoriamente novo na Copa da Rússia para os brasileiros: o desencanto, o desinteresse e desânimo da maioria dos habitantes do país do futebol. Basta olhar nas ruas das cidades. Se nas últimas copas quase tudo se coloria de verde e amarelo, o máximo que se pode ver é o esforço do comércio em decorar suas lojas com as cores da bandeira, na tentativa de conquistar o consumidor e empurrar seus produtos. 

E a TV também percebeu isso e se esforça em vender o seu produto “Copa do Mundo” para os seus telespectadores. O Jornal Nacional, por exemplo, vem há algumas semanas dedicando longos minutos com a exibição da história de cada um dos escalados da Seleção Brasileira, mostrando suas famílias, seus dramas, apelando para um sentimentalismo bem clichê. Mesmo assim, duvido que a grande maioria da população saiba dizer o nome de, no mínimo, quatro jogadores convocados por Tite. As programações das emissoras já estão vibrantes e recheadas de correspondentes e links ao vivo direto do país da Copa, além, é claro, dos documentários sobre a cultura do país-sede, enquanto o povo…

Em 2018, quem quiser assistir ao mundial, terá poucas opções. Na TV aberta, os jogos serão exibidos exclusivamente pela Rede Globo, emissora que comprou os direitos de transmissão – vem muito Galvão Bueno por aí, babando por Neymar. E uma curiosidade: os seis anunciantes patrocinadores da transmissão do mundial pagaram aproximadamente R$180 milhões cada um à emissora. Na TV fechada, os canais SporTV e Fox irão também exibir os jogos. 

Essa situação nos faz refletir sobre o sentimento nacional de nossa população. Num primeiro momento, pode soar como algo triste: “perdemos a paixão e o orgulho nacional expressos na devoção à seleção”. Mas, e é nisso que acredito, em tempos de crise e de golpe, estamos passando por um momento duro, de questionamentos e redescobertas da nossa identidade, do nosso orgulho e do nosso país, que espero que nos faça chegar a algo muito maior que o amor à camisa canarinho. Vai, Brasil! 

 

Edição: Joana Tavares