Copa do Mundo

Paulo Ricardo, zagueiro que joga na Suíça, dá dicas sobre o primeiro rival do Brasil

Arena Rostov será palco do primeiro jogo da Seleção na Copa, neste domingo às 15 horas

Brasil de Fato | Sochi (Rússia)

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Paulo Ricardo veste a camisa do FC Sion desde 2016 e alerta para a intensidade do futebol suíço / Divulgação/FC Sion

Sexta colocada no ranking da Federação Internacional de Futebol (Fifa). Detentora do recorde de 557 minutos corridos sem sofrer gols em Copas do Mundo. Classificada para o Mundial da Rússia com 90% de aproveitamento na fase de grupos Eliminatórias Europeias. O que esperar da seleção da Suíça, adversária do Brasil neste domingo em Rostov?

Para entender o que está por trás da evolução do futebol do país e conhecer as virtudes da seleção que tenta surpreender o técnico Tite, a reportagem do Brasil de Fato conversou com o zagueiro Paulo Ricardo, que atua no FC Sion, um dos clubes mais tradicionais da Suíça.

Paulo Ricardo tem 23 anos e uma trajetória vitoriosa nas categorias de base. Campeão catarinense sub-15 e sub-17 pelo Figueirense-SC e bicampeão da Taça São Paulo de Futebol Júnior pelo Santos-SP, acabou promovido à equipe profissional em 2014 e 2015. No ano seguinte, após uma lesão na lombar, foi emprestado por um ano para o clube suíço, e ao final do contrato aceitou uma proposta para jogar mais três anos no FC Sion.

Na entrevista abaixo, direto da Suíça ele analisa possíveis diferenças entre o futebol nos dois países e enumera as qualidades da seleção que enfrenta o Brasil neste domingo em Rostov:

Brasil de Fato - Qual a principal diferença entre o futebol brasileiro e o futebol suíço?

Paulo Ricardo - A intensidade do jogo me pareceu maior na Suíça. São 90 minutos de pura intensidade. Pode parecer que não é um futebol técnico, porque se valoriza muito a parte física, mas tem muitos jogadores técnicos. Aqui, tem atletas de todos os lugares do mundo, tem equipes que disputam Liga dos Campeões, que disputam campeonatos de alto nível, e que já chegaram muito longe.

Na questão tática, eles também são um pouco mais organizados. Mas, por ter muita intensidade, isso às vezes fica um pouco de lado também. Os times que jogam mais retrancados são os que investem mais na parte tática. Não é o caso do Young Boys, que foi campeão [do Campeonato Suíço] no ano passado e que jogava mais baseado na velocidade e na transição rápida.

Para além do que acontece dentro do campo, é possível estabelecer uma comparação sobre o ambiente dos clubes e a relação com a torcida?

A disciplina que se exige no clube também é diferente. Eles impõem várias regras em relação aos horários, ao respeito com os torcedores. No Brasil isso existe, mas aqui é um pouco mais rígido, e eu achei bem legal.

Os torcedores, no caso do FC Sion, são muito fervorosos. Eles enchem o estádio, ajudam o time a sair das situações mais difíceis. São torcedores realmente fanáticos. Nesse caso, a diferença é que no Brasil o futebol está muito mais associado à fama, reconhecimento na rua, enquanto aqui as pessoas são um pouco mais tranquilas nessa relação.

A imprensa brasileira trata a Seleção como favorita absoluta na estreia, e muitas vezes ignora a evolução do futebol suíço nos últimos anos. Você também enxerga esse favoritismo?

Acredito que será um bom jogo. E não vai ser fácil para o Brasil.

Com certeza, o Brasil é favorito, pelos jogadores de alto nível que tem, mas não pode dar mole. Afinal, [a Suíça] é uma seleção que foi muito bem nas Eliminatórias.

Qual a expectativa dos suíços para esta Copa do Mundo, e especialmente para o jogo de estreia?

Eu acabei de chegar de férias do Brasil, então não acompanhei muito as repercussões da Copa do Mundo por aqui. Mas eu vejo que eles acreditam muito na vitória. Eles sabem, claro, que contra o Brasil sempre é difícil, ainda mais porque a Seleção está muito forte, compacta, jogando muito bem. Mesmo assim, eles creem na vitória, com a consciência de que provavelmente disputarão o segundo lugar no grupo.

Como eu disse antes, a Suíça tem bons jogadores, experientes, e por isso os torcedores estão muito confiantes.

Você conhece alguns dos jogadores que entram em campo neste domingo? Como eles esperam surpreender o Brasil?

Conheço alguns atletas que estão na seleção. Eu joguei com o [meia-atacante] Edimilson Fernandes, que hoje está no West Ham, da Inglaterra. Joguei também contra outros convocados, e acredito que há alguns jovens talentos, muito promissores. Não sei se eles já vão fazer a diferença nesta Copa, mas tenho certeza que nas próximas eles podem ser muito importantes para a Suíça.

A seleção conta com a experiência de outros jogadores, como Gelson Fernandes, 31 anos, nascido em Cabo Verde, que atua no Eintracht Frankfurt, da Alemanha, e Xherdan Shaqiri, 26 anos, nascido na Província do Kosovo, que atua no Stoke City, da Inglaterra, que também podem dar mais tranquilidade para a Suíça em campo.

BdF: Você citou dois jogadores nascidos fora do território suíço, que estão entre os principais nomes da equipe que enfrenta o Brasil no domingo. Se recebesse um convite para se naturalizar e disputar uma Copa, você aceitaria seguir o mesmo caminho?

PR: Eu ficaria muito contente pelo convite, acho que seria um reconhecimento do trabalho. Mas, antes de tudo, tenho o sonho de chegar à Seleção Brasileira. Trabalho dia a dia para chegar ao nível dos jogadores que hoje estão na Copa do Mundo, e acho que seria muito difícil aceitar essa proposta.

FICHA TÉCNICA: Brasil x Suíça

LOCAL: Arena Rostov (Rússia)

DATA E HORÁRIO: Domingo, 17 de junho de 2018, às 15 horas (de Brasília)

BRASIL: Alisson; Danilo, Miranda, Thiago Silva, Marcelo; Casemiro, Paulinho, Philippe Coutinho; Neymar, Willian e Gabriel Jesus.

SUÍÇA: Bürki; Lichtsteiner, Schär, Djourou e Moubandj; Xhaka, Behrami e Dzemaili; Zuber, Gavranovic e Shaqiri.

Edição: Juca Guimarães