Eleição presidencial

Colômbia: neste domingo, 2º turno opõe direita e esquerda e futuro dos acordos de paz

Direitista Iván Duque é favorito e baseou sua campanha na crítica aos acordos de paz entre governo e guerrilhas

Iván Duque, candidato pelo partido Centro Democrático, baseou sua campanha em críticas ao acordo assinado pelo presidente Juan Manuel Santos / Reprodução

O segundo turno das eleições presidenciais na Colômbia, que ocorrem neste domingo (17), coloca em disputa dois projetos futuros para o Acordo de Paz firmado entre a antiga guerrilha Forças Alternativas Revolucionárias do Comum (FARC) e o governo colombiano, assinado em 2016.

Iván Duque, candidato pelo partido Centro Democrático, baseou sua campanha em críticas ao acordo assinado pelo presidente Juan Manuel Santos. Escolhido pelo ex-presidente Álvaro Uribe para representar o partido nas eleições, o candidato do “uribismo” promete mudanças no pacto e se apresenta como porta-voz de uma fração da sociedade que estaria insatisfeita com o acordo alcançado com a FARC.

Já Gustavo Petro, representante da coligação centro-esquerda Colômbia Humana, defende a manutenção e o aprofundamento do acordo com o antigo grupo guerrilheiro.

As campanhas para o segundo turno das eleições presidenciais polarizaram ainda mais o debate sobre o acordo por refletirem posições divergentes entre os candidatos. O resultado do referendo realizado em 2016, meses antes da assinatura do documento, simbolizou uma derrota para Santos e colocou um quadro de instabilidade em seu governo, fato que favoreceu o ex-presidente Uribe, crítico de Santos e do acordo.

De acordo com uma pesquisa divulgada na úlltima segunda-feira (11) pelo Centro Estratégico Latino-americano de Geopolítica (Celag), Petro conta com 40% das intenções de voto, contra Iván Duque, que tem 45,5%. A margem de erro é de até 2,2 pontos percentuais.

Os postos de votação para este segundo turno abrem às 8h (10h no horário de Brasília), com previsão para fechar às 16h (18h em Brasília) e são esperados mais de 36 milhões de eleitores.

Iván Duque

Com 41 anos, o mais novo entre os candidatos, o direitista Iván Duque venceu o primeiro turno com 39,14% dos votos. Com passado profissional ligado ao mercado financeiro, trabalhou nos Estados Unidos como consultor do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Na política, o candidato do Centro Democrático teve trajetória curta. Foi eleito senador em 2014, mas deixou o cargo no ano passado para concorrer à presidência. Duque também foi assessor no Ministério da Fazenda e assessor do ex-presidente Álvaro Uribe.

Gustavo Petro

Ex-prefeito de Bogotá, o progressista Petro defende sistemas totalmente públicos de saúde e educação, sem intermédio de empresas privadas. Integrante do grupo armado Movimento 19 de Abril (M-19) durante os anos 1980, Petro iniciou sua carreira parlamentar na Câmara de Conselheiros da cidade de Zipaquirá, cargo semelhante ao de vereador. Quando ainda estava no partido Pólo Democrático, foi eleito senador em 2006.

Reconhecendo na disputa por terra a origem da maioria dos conflitos na Colômbia, Petro defende propostas para democratizar o acesso a ela e resolver o problema dos latifúndios improdutivos. Para os latifundiários que não produzem, o candidato do Colômbia Humana propõe três saídas: ou começam a produzir nessas terras e, portanto, geram emprego e riquezas para o país, ou as mantêm ociosas e, em troca, pagam um imposto ao Estado, ou vendem as terras.

A ida de Petro ao segundo turno representa um fato inédito para o país, onde pela primeira vez um candidato ligado à esquerda disputa a segunda fase do pleito.

Legislativas

Em março, a Colômbia escolheu seus senadores e deputados na primeira eleição da qual a FARC participou como partido político.

O Centro Democrático, de Uribe e Duque, e os outros partidos da direita conquistaram expressivo resultado no Congresso. No campo da esquerda, os partidos Polo Democrático Alternativo, Lista da Decência, Partido Aliança Verde e FARC dividem os assentos entre si.

FARC

O antigo grupo guerrilheiro, hoje partido político, anunciou em março que não iria participar das eleições presidenciais da Colômbia. Após iniciarem campanha, o grupo declarou que os motivos da retirada foram os episódios de violência contra candidatos do ex-grupo guerrilheiro aos cargos legislativos nas eleições de março e a saúde de seu candidato a presidente, Rodrigo Londoño, o "Timochenko", que passou por uma cirurgia no coração.

O partido não anunciou apoio a nenhum outro candidato, mas, segundo Ivan Márquez, candidato ao Senado nas últimas eleições legislativas do país, isso não significa que a FARC vai deixar de participar da vida eleitoral colombiana. 

"Não participar da corrida presidencial com um candidato próprio não significa que também não assumimos uma voz na frente dos outros candidatos nas eleições presidenciais", afirmou.

Já o grupo guerrilheiro Exército de Libertação Nacional (ELN) suspendeu suas atividades militares na última sexta-feira (15/06) para a realização do segundo turno das eleições presidenciais na Colômbia.

Segundo a organização, a decisão serve “para facilitar a participação dos colombianos e colombianas no segundo turno das eleições presidenciais”.  Esta é a segunda vez que o ELN anuncia um cessar-fogo, sendo que a última vez foi durante o primeiro turno do pleito, em maio deste ano.

“Decidimos decretar uma nova suspensão de nossas operações militares a partir da 0 hora de sexta-feira, 15 de junho, até às 24 horas de terça-feira, 19 de junho”, declarou o grupo.

Edição: Opera Mundi