ADVERSÁRIA DO BRASIL

Contas na Suíça: do nazismo ao futebol

Por que contas bancárias no país são escolhidas como destino por um quarto de todos os depósitos de estrangeiros?

Brasil de Fato | Brasília (DF)

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Banco Nacional da Suíça foi questionado, após a Segunda Guerra Mundial, por ter recebido ouro saqueado por nazistas / Wikimedia Commons/Baikonur

O país da primeira seleção a ser enfrentada pelo Brasil na Copa do Mundo de Futebol é conhecido por diversos produtos: chocolates, queijos, canivetes e relógios. A importância econômica de nenhum desses, entretanto, se equipara ao peso do sistema financeiro na Suíça. 

Os bancos representavam 10,5% do Produto Interno suíço em 2014, segundo dados da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Para comparação, o percentual da vizinha alemã era de 3,6%. As mais de 200 instituições financeiras que operam na Suíça concentram um quarto de todos os depósitos de estrangeiros no mundo.  

Historicamente, o país europeu passou a atrair as reservas de estrangeiros por conta do sigilo fiscal. Ou seja, os dados de seus correntistas eram mantidos em segredo. A lei que instituiu punições à violação do sigilo foi instituída em 1934. Foi a partir da Segunda Guerra Mundial que o volume de recursos destinados à Suíça aumentou.

A maior parte do ouro capturado pelos nazistas foi depositado no Banco Nacional Suíço. A informação apenas seria confirmada anos depois, em março de 2002. Na data, foi lançado o relatório final da Comissão Bergier, formada pelo governo suíço em 1996, após contínuas críticas da comunidade internacional ao papel da Suíça durante a guerra. 

Em 2014, a nação fechou um acordo para se adequar aos padrões da OCDE em diversas áreas, o que exigiu o fim dos padrão bancário baseado no sigilo fiscal. No entanto, as alterações rumo ao fim do segredo de quem são os correntistas no país só começaram a ser aplicadas neste ano. 

Neste intervalo de quatro anos, as contas suíças estiveram presentes em diversos escândalos brasileiros. Em 2015, o país bloqueou as contas de diversos dirigentes da Fifa (Federação Internacional de Futebol) – entre eles os brasileiros Ricardo Teixeira e José Maria Marín – a pedido de órgãos de investigação dos EUA. 

A entidade internacional do futebol tem sede na própria Suíça, país que hospeda diversos outros órgãos – como a Organização Internacional do Trabalho, a Organização Mundial da Saúde e a Unicef – por conta de seu histórico de neutralidade geopolítica. A mesma "neutralidade" que serviu como um dos argumento da Suíça durante o pós-guerra para tentar justificar a razão pela qual recebeu o ouro do nazismo. 

Edição: Pedro Ribeiro Nogueira