BICICLETA

Ciclista carioca percorre o mundo em uma bicicleta de bambu

Ricardo Martins está na estrada desde 2016 e já passou pela África, Europa e está indo em direção à Ásia

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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Ricardo Martins em Killimanjaro, na Tanzania. / Roda mundo

Já pensou em dar a volta ao mundo em uma bicicleta de bambu? A ideia, que parece um bom roteiro de filme, foi colocada em prática pelo carioca Ricardo Martins. O cicloviajante de 33 anos está na estrada desde 2016 com a sua magrela, Dulcineia, e já percorreu toda a África e agora está na Europa a caminho do continente asiático.

Esta não é a primeira cicloviagem de Martins. O gosto por aventurar-se com a bicicleta começou em 2007, quando viajou pela América do Sul durante quatro anos com apenas R$ 385.A experiência de pedalar cerca de 25 mil quilômetros rendeu o livro ‘’Roda América – Em Busca de Nossa Gente’’ e impulsionou o então profissional de Marketing para um sonho ainda mais ousado: percorrer o mundo de bicicleta para descobrir culturas e novas soluções para a mobilidade urbana. 

Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, Martins falou sobre as motivações que o incentivaram na decisão de abandonar a estabilidade financeira e o conforto em troca de uma vida pela estrada em que o mínimo como água e comida, muitas vezes, se tornam artigos de luxo. 

"Acho que a girada de chave foi quando eu tinha escolhido fazer Marketing para ser rico, ter uma casa legal, morar num lugar legal. Pelo Rio de Janeiro ser desigual, você nascer no subúrbio e morar na Zona Sul não é uma coisa que qualquer um consegue, eu tinha que entrar numa boa universidade, orientei toda a minha vida a partir disso e, depois de ter aberto a minha empresa, de ter uma condição financeira interessante, de morar onde eu queria, eu descobri que não estava feliz. Eu tinha uma ótima cama, sem tempo para dormir nela; eu tinha dinheiro e não tinha condição e tempo para desfrutar disso. Não tinha tantos amigos, porque tudo o que eu fazia era trabalho. A viagem de bicicleta foi a primeira decisão que eu tomei por mim mesmo e não por nenhuma pressão social", destacou. 

E desde então o cicloviajante não parou mais. Em 2016, Martins volta para a estrada, mas desta vez com ambições ainda maiores: o projeto Roda Mundo – Bamboo Trip. A escolha por uma bicicleta de bambu não foi por acaso. Segundo o carioca, a Dulcineia desperta a curiosidade nos locais por onde passa facilitando as relações humanas e a hospitalidade.

"A Dulcineia foi feita sob medida para mim por um grande amigo no Rio Grande do Sul. Imagina você chegar num lugar pobre com uma Ferrari, automaticamente você é o riquinho. Com a bicicleta de bambu naturalmente as pessoas se aproximam, o bambu gera curiosidade, um monte de perguntas", explicou o ciclista. 

Nesses dois anos de estrada, Martins considera que a passagem pelo continente africano foi a que mais o marcou. A cicloviagem começou na Cidade do Cabo, na África do Sul e terminou em Alexandria, no Egito. Ao todo foram 16 mil quilômetros percorridos em um ano e meio. Atravessar guerras civis e tribais, além de suportar o forte calor do deserto que ultrapassou 50ºC fizeram parte da jornada pelo continente. O viajante contou que chegar à África sem conceitos pré-estabelecidos foi fundamental para conhecer a cultura local.  

"Não há uma  intenção de mostrar uma outra África, eu quero mostrar os lugares onde eu estou e como eles são de acordo com a experiência que eu vivo. O que eu vi e vivi é totalmente diferente desta ideia pré-concebida que a gente tem e a mídia também. E essa é a África que o africano conhece e essa foi a África que eu quis mostrar", afirmou. 

O Roda Mundo estará na estrada por mais cinco anos conhecendo culturas, ouvindo histórias e fazendo pesquisas de campo sobre cicloturismo e mobilidade urbana. Martins produz conteúdo em texto e audiovisual sobre a viagem para os canais do projeto nas redes sociais e no Youtube. A iniciativa se mantém com o apoio de colaboradores. As doações são a partir de R$5, os interessados em contribuir podem acessar apoia.se/rodamundo.

Edição: Mariana Pitasse