Saúde

Greve na USP termina sem que Reitoria confirme repasse de recursos para o HU

Sindicalistas prometem pressão para que os R$ 48 milhões sejam utilizados para a reposição de profissionais no HU

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Preocupação dos funcionários do HU é com a contratação de funcionários para o hospital / Marcos Santos/USP

Funcionários da Universidade de São Paulo (USP) e do Hospital Universitário (HU) encerraram a greve na última sexta-feira (22). Diferente dos trabalhadores da USP, que obtiveram parte das reivindicações atendidas, não houve nenhum avanço com relação ao repasse da emenda parlamentar no valor de R$ 48 milhões, para a contratação de profissionais para o Hospital Universitário da USP.

Conforme ata da reunião com a Reitoria, na última quinta-feira (21), enviada pela assessoria de imprensa “o HU deve atender aos princípios do ensino e do atendimento de saúde para a comunidade USP da Capital”.

Ainda conforme a ata, “tratando-se de um hospital-escola (cuja demanda para fins do ensino não é totalmente suprida pela comunidade USP) é importante que haja atendimento à população do entorno”.

Com a redução de 406 trabalhadores por meio de dois planos de demissão voluntária, que começaram em 2014, vários atendimentos deixaram de ser garantidos à comunidade. Os Prontos Socorros Adulto e Infantil estão fechados desde 2017, deixando de atender cerca de 500 mil moradores.

“A preocupação [dos funcionários] do HU é com a contratação de funcionários para o hospital. Porque há um quadro reduzido após o PIDV [Programa Individual de Demissão Voluntária], muitos pediram demissão, e ainda tem gente pedindo demissão. Médico em depressão, que provavelmente não volte mais”, explica Zelma Fernandes, diretora do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp).

Parte do quadro de funcionários iniciou a greve na segunda-feira (18) e finalizou na sexta-feira (22), após a assembleia organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp). A Reitoria não reconhece, de acordo com os grevistas, a destinação da verba aprovada pela Assembleia Legislativa de São Paulo, para a realização de concursos e reposição de funcionários para a unidade hospitalar.

Versões distintas

“O que foi levado [para a reunião de quinta-feira (21)], inclusive tinha representantes do HU na reunião, foi [o questionamento] sobre os R$ 48 milhões. Foi discutido, o reitor passou que esses R$ 48 milhões não é uma parte que veio destinada para o HU, diferente do que já vem”, informa Zelma Fernandes, diretora do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp).

Segundo Zelma, o reitor da USP, Vahan Agopyan, alega que esse é um recurso que já existia e sempre foi destinado ao pagamento do SPPrev (São Paulo Previdência), unidade gestora única do Regime Próprio de Previdência dos Servidores Públicos (RPPS) e do Regime Próprio de Previdência Militar (RPPM). 

“Não é uma verba adicional. O que ele [reitor] passa é isso. O que a gente vai tentar saber é: onde estão esses R$ 48 milhões, que dizem que foram carimbados para a contratação de funcionários para o HU, via USP?”, questiona Fernandes.

A assessoria de imprensa da Reitoria afirma que a verba “aguarda a sanção do governador”. No entanto, não detalha se estará garantido o repasse para o HU, caso seja sancionado o projeto de lei do deputado estadual Marco Vinholi (PSDB).

Sem pediatra

Enquanto isso, moradores da comunidade do entorno, seguem sem atendimento. Carolina Catarina de Novaes, moradora da Comunidade 1010, vizinha do HU, não conseguiu passar as crianças pelo pediatra na urgência.

“Eu fui para passar os dois [filhos], porque eles estavam ruins na quarta-feira. Ao chegar lá, falaram que só estavam atendendo a emergências graves”, disse a mãe dos pequenos Hyago Davi, de 8 meses, e Deryck Ryan, de 6 anos.

Novaes, que já havia denunciado o fechamento do PS Infantil em maio passado, teve de buscar socorro para seus filhos, um deles com crise de asma, para no Pronto Socorro Bandeirantes, na rodovia Raposo Tavares.

Orçamento aprovado

A Assembleia Legislativa (Alesp) aprovou em 13 de junho o Projeto de Lei 367/2018, de autoria do deputado Marco Vinholi (PSDB), que corrige um erro técnico em relação à verba de R$ 48 milhões destinada à contratação de funcionários para o Hospital Universitário da USP, cometido na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2018.

A proposta necessita agora da sanção do governador Márcio França (PSB).

Desde que o repasse para o HU foi aprovado, em 27 de dezembro de 2017, a Reitoria tem sido evasiva quanto à aplicação da verba, conforme a Associação dos Docentes da USP (Adusp).



 

Edição: Katarine Flor