Nosso espelho

Em leitura dramática, juiz “Moura” simboliza um Judiciário de mentalidade colonial

"Os Delatores da Inconfidência – um paralelo épico entre a derrama e a Lava Jato" será reapresentada nos dias 29 e 30

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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Paulo Bearzotti Filho apresenta um texto que constrói um espelho entre a criminalização contra Tiradentes e a atual perseguição contra Lula / Décio Romano

Em um cenário cultural em que peças teatrais, e a literatura desde os anos 1990, tantas vezes evitam a temática política, vale a pena prestar atenção na leitura dramática da peça "Os Delatores da Inconfidência – um paralelo épico entre a derrama e a Lava Jato", que será reapresentada em 29 e 30 de junho (sexta e sábado), no Teatro Experimental da UFPR (Teuni).

Nela, Paulo Bearzotti Filho apresenta um texto que constrói um espelho entre a criminalização contra Tiradentes e a atual perseguição contra Lula. Em comum, a condenação orquestrada por um poder Judiciário elitista, moral e – a peça enfatiza – de mentalidade colonizada.

Na Vila Rica do século 18, o juiz “Moura”, vindo de fora e introduzindo as delações, o condenado “Dirceu”, de Marília (em alusão ao poeta Tomás Antonio Gonzaga) e “Joaquim José Lula da Silva” são personagens que ajudam a compreender a essência da Operação Lava Jato enquanto operativo que condenou um presidente que aplicava medidas de desenvolvimento no país.

Texto dialógico, com várias vozes, que costuram a obra de Cecília Meireles, canções (recurso bastante usado por Brecht), e poemas dos inconfidentes que, definitivamente, conformaram uma geração que colocou em pauta a independência na produção do país, da cultura à vida material – o que ainda não conquistamos.

Mais informações 



Serviço: 

Teatro Experimental da UFPR (TEUNI), localizado no Prédio Histórico da UFPR – Praça Santos Andrade, Curitiba 

Data: 29 e 30 de junho (sexta e sábado)

Horário: 20h

Edição: Laís Melo