FESTA

São João continua nos bairros do Recife

Grupos realizam seus arraiais nas periferias e no Centro do cidade

Brasil de Fato | Recife (PE)

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Quem gosta de forrozear leva os festejos juninos até os últimos dias do mês / Andréa Rego Barros/PCR

Oficialmente o feriado de São João já passou. Mas, quem gosta de forrozear leva os festejos juninos até os últimos dias do mês. Do centro às periferias do Recife, alguns arraiais animam esse fim de semana com muita música e comidas de milho. Destaque para a festa da quadrilha junina Lambe-Foice, no Vasco da Gama, zona norte do Recife. A comunidade realiza o arraial há 36 anos, atraindo a população de bairros vizinhos e animando a noite do sábado (30).

O arraial, desde o início, buscou homenagear Frutuoso Alves da Silva, sanfoneiro nascido em Brejo da Madre de Deus, agreste pernambucano, e antigo morador do Vasco da Gama. Suas filhas iniciaram a festa na rua do Chafariz e, no início dos anos 1990, mudaram para a rua Canapi, onde é realizada até hoje. “Ele dançava nas quadrilhas do bairro. Lembro que todo ano ele dançava na quadrilha do Córrego do Botijão e na Flor do Cajueiro, do Alto Nossa Senhora de Fátima. Ele participava da encenação como juiz do casamento”, recorda a filha Marineide Alves da Silva. O sanfoneiro criou as cinco filhas no meio da música. “Onde ele ia, levava as filhas com ele. E o gosto pelo São João passou de pai para filhas”, recorda ela, que chegou a trabalhar como cantora profissional de forró na antiga casa de shows Cavalo Dourado.

Frutuoso faleceu há quatro anos. “Ele ensinava umas rezas também. Lembro de uma que dizia 'Bendito corria adiante, Louvado corria atrás, Bendito era menino, Louvado era rapaz', algo assim”, sorri a filha. Nas primeiras edições, ainda nos anos 1980, o nome da brincadeira era “Arraiá de Comadre Chica”. Mas quando decidiram mudar o nome, um padre que participava da festa sugeriu o nome de “Lambe-Foice”.

Após mais de três décadas, a Lambe-Foice faz parte do calendário do bairro e das memórias dos jovens da comunidade. Muitos dos quais já moraram no Vasco da Gama vão ao arraial para rever os amigos de infância e adolescência. A festa segue das 20h do sábado até as 5h da manhã. Apesar do horário, Marineide conta que nunca teve problemas com a vizinhança. Parte dos custos da festa são pagos através de um bingo organizado pela quadrilha no início de junho e do sorteio de um balaio no dia da festa. A brincadeira costuma reunir centenas de pessoas nas ruas do bairro. “Quando vejo a festa pronta, aquela quantidade de gente, eu só olho para o céu e penso como meu pai deve estar feliz”, diz Marineide.

E como quadrilha matuta tradicional que se preze, seu arraial pede pé de serra e música ao vivo. “Evitamos som mecânico. Sempre colocamos os sanfoneiros para tocar. Um deles, inclusive, é Patrício, que toca conosco há mais de 30 anos, desde os tempos do Arraiá de Comadre Chica”, afirma Marineide. Este ano a promessa é de quatro grupos: além de Patrício e banda, está confirmada Galopeiros do Forró e há expectativa por mais duas bandas. “Este ano a Lambe-Foice foi sorteada pela Prefeitura do Recife para receber duas bandas em nosso arraial, mas ainda não sabemos os nomes”, avisa.

Outras festas

Nesta sexta-feira (29), dia de São Pedro, o Movimento dos Trabalhadores Cristãos (MTC), na Boa Vista, realiza sua celebração junina com show do Coletivo Siembra. A entrada custa R$5, que dá direito a concorrer a um balaio junino. O MTC fica na rua Gervásio Pires, nº 404.

Também nesta sexta, mas em Olinda, a tradicional Festa do Coco da Mãe Biu, na Comunidade Xambá, chega a sua 53ª edição. A festa celebra a memória do povo de Mãe Biu, a partir das 10h da manhã, no quilombo urbano do Portão do Gelo. Entrada gratuita.

Já no Sítio Trindade, em Casa Amarela, a sexta-feira (29) e o sábado (30) seguem com a programação do São João do Recife. Na sexta os shows são de Fulô de Mandacaru, Em Canto e Poesia, Novinho da Paraíba e Salatiel Camarão. No sábado sobem ao palco Joquinha Gonzaga, Fabiana Pimentinha, Adiel Luna e Daniel Bento, com os primeiros shows a partir das 18h. A festa é custeada com verba pública e tem acesso gratuito.

Edição: Monyse Ravenna