Coluna

Negar a existência de racismo é também uma forma de racismo

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Em campanha no Ceará, o pré-candidato presidencial, Jair Bolsonaro (PSL), disse não haver racismo no Brasil / Fábio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil
É lamentável que em pleno Terceiro Milênio surjam políticos pregando ódio

Afirmar que no Brasil não tem racismo é realmente desconhecer a história deste país. Pois bem, em campanha no Ceará, o pré-candidato presidencial, Jair Bolsonaro (PSL), chegou a dizer que por aqui não existe racismo.

Essa figura defensora de torturadores e da tortura desconhece que com a abolição da escravatura os negros foram jogados ao deus dará, ou seja, completamente desassistidos pelo Estado brasileiro e seguiram  pelos anos sem condições de serem inseridos no mercado  de trabalho. E ainda por cima, muitos empregadores criavam, e criam, restrições apenas pela coloração dos postulantes. Mas os racistas brasileiros simplesmente ignoram tal fato que faz cair por terra a afirmação segundo a qual por estas terras não há racismo.

O que dizer então quando um pré-candidato profere e ofende os negros ao criticar a justa luta pelo reconhecimento dos quilombolas. O mesmo autor das ofensas agora vem a público afirmar que no Brasil não existe racismo.

Basta consultar o que ele falou no clube Hebraica, no ano passado, para confirmar que ele é racista e agora está respondendo na justiça pelo que falou.

Como se não bastasse, o capitão da reserva Jair Bolsonaro ainda por cima, no mesmo comício em Fortaleza,  ao criticar o programa “Mais Médicos”, segundo noticiado em um jornal paulista,  disse que os médicos cubanos presentes no Brasil são “guerrilheiros fantasiados de médicos”. É realmente uma afirmação totalmente idiota e que deve ser repudiada, sobretudo pelos habitantes de cidades que recebem  a assistência dos médicos cubanos, que foram também criticados por médicos brasileiros que só pensam em ganhar dinheiro e pouco se importam com a saúde da maioria da população brasileira.

Aliás, seria importante que os segmentos assistidos pelos médicos cubanos fossem chamados a opinar sobre a fala idiota do capitão da reserva. Fica aqui a sugestão de pauta.

Por esta e muitas outras, é preciso muita atenção e toda a vez que isso acontecer, tornar público e repudiar esse tipo de declaração.

É lamentável que em pleno Terceiro Milênio surjam políticos, como o referido capitão da reserva, pregando ódio e sendo apoiado por gente rica, conforme apontam as pesquisas, racistas por natureza e que afirmam sempre que no Brasil não há racismo.

É urgente desmascarar esse tipo de postura, porque o racismo, seja de que forma se manifeste, é algo inaceitável e deve ser sempre repudiado por quem tem um mínimo de consciência.

Silenciar diante de manifestações racistas de qualquer natureza é compactuar com o ódio. É necessário lembrar também que 54% da população brasileira é composta por negros. Nesse caso, o capitão da reserva está em verdade indo contra a maioria, que conhece de perto o que significa o racismo e a afirmação de que no Brasil não existe racismo.

Ah, sim, o capitão da reserva tem como antecessores integrantes do movimento integralista que proliferou no Brasil nos anos 30 e continuou com os adeptos dessa ideologia nazi-fascista, que, por sinal, apoiou em gênero, número e grau o golpe de abril de 1964. Repetir discurso racista nos dias atuais é um crime que deve ser repudiado, vale sempre repetir.

Edição: Jaqueline Deister