CIÊNCIA E TECNOLOGIA

Dia da Ciência: Helena Nader enaltece a pesquisa nacional e denuncia desmonte

Para pesquisadora, Emenda Constitucional 95, que limita teto de gastos até 2036, “tira o sonho, tira o futuro”

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Helena Nader em entrevista ao Brasil de Fato / Juliana Vieira

Em tempos de desmonte das políticas públicas de educação, ciência e tecnologia é fundamental debater o papel e a importância do setor para o país. No domingo (08), foi celebrado o Dia Nacional da Ciência (Lei nº 10.221, de 18 de abril de 2001) e o Dia Nacional do Pesquisador (Lei nº 11.807, de 13 de novembro de 2008).

Helena Nader, professora titular da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e ex- presidenta da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), de 2011-2017, explica como, mesmo com pouco investimento o Brasil já é referência mundial em pesquisa.

“Entre as áreas mais relevantes, as que o Brasil se destaca, temos a engenharia aeronáutica, a Embraer é a terceira empresa de construção de aviões do mundo. Nunca ninguém tinha feito a associação entre a síndrome da microcefalia e o vírus da Zika, isso é uma descoberta dos cientistas brasileiros”. Ela cita, ainda, que a criação da urna e do sistema de automação bancário no brasil são parâmetros internacionais.

Em entrevista ao Brasil de Fato, a professora enalteceu a produção científica nacional, que, para ela, é um setor que se mostra avançado, mesmo diante da pouca idade da acadêmia brasileira. A primeira instituição de ensino superior do Brasil, a Escola de Cirurgia da Bahia, foi criada em 1808, seguida das Faculdades de Direito de São Paulo e de Olinda, em 1827.

Ela também cobrou mais investimentos no setor “Qual a grande diferença entre os chamados países desenvolvidos e nós, países em desenvolvimento? A educação e a ciência. A Ciência no Brasil, para os governos, é considerada gasto”. 

A professora explica que o Brasil não têm política de Estado para a Ciência e Tecnologia, que sofre com as mudanças de governos ficando à mercê dos governantes “entra governo, saí governo, começa uma nova política”.

Ela cita como exemplo a Emenda Constitucional 95, implementada em 2016 pelo golpista Michel Temer, que limita o teto dos gastos públicos por 20 anos, congelando gastos essenciais como a educação, até 2036: “ela tira o sonho, ela tira o futuro. E ninguém que aprovou essa emenda foi eleito para fazer isso”.

Para a cientista, é necessário lutar para que a educação e a ciência não estejam mais na Emenda Constitucional 95. “Não podemos jogar a toalha e deixar estes que estão aí fazerem tudo como eles acham que tem que ser. Eu prefiro achar que dá para mudar. Eu vou continuar achando que dá para mudar. Eu sou vou deixar achar ou por que mudou, ou por que eu morri”.

Para denunciar esse desmonte, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) convoca toda a comunidade científica e apoiadores a participar das Marchas Pela Ciência, que acontecem em diversos estados pelo Brasil, em apoio à pesquisa científica. 

Veja onde serão as mobilizações pelo país:

Belém – 9 de julho Seminário “Ciência e tecnologia no Brasil em tempos de desmonte das políticas públicas” no auditório da Faculdade de Engenharia Mecânica da UFPA (Universidade Federal do Pará).

Brasília – 12 de julho, no Plenário da Câmara, requerimento para a realização da Comissão Geral “Marcha para a Ciência: o presente e o futuro do setor de Ciência e Tecnologia no País”.

Santa Catarina – 13 de julho Seminário “70 anos da SBPC: contexto e desafios para a ciência brasileira e catarinense”, em Chapecó.

 

Edição: Juca Guimarães