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Coluna Bafafá | O clipe de Nego do Borel prometia ser um lacre, mas... Close errado!

Cantor foi acusado de oportunista por utilizar da representatividade LGBT para lucrar

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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Durante o vídeo, que também reforça estereótipos, o artista interpretou a personagem "Nega da Borelli" / Divulgação

O novo clip de Nego do Borel, “Me solta”, foi um dos assuntos da semana. Nele, o cantor aparece caracterizado como a personagem “Nega da Borelli”, de bolsa, sapato de salto alto, com uma roupa vermelha coladinha, brincos, bem “lacradora”, chegando a dar um beijaço num ator famoso. A primeira reação de grande parte do público foi de surpresa e admiração pela coragem do funkeiro, considerado um símbolo sexual, surgir como um personagem gay. Surgiram elogios pelo fato de o cantor romper o tabu e trazer essa representação do público LGBT. 

Mas isso durou bem pouco. Rapidamente foi lembrada uma foto em que o cantor aparece ao lado do deputado federal Jair Bolsonaro, famoso por, entre outras aberrações, dar declarações homofóbicas e se colocar contra o avanço de direitos da comunidade LGBT. E o povo (especialmente a comunidade LGBT) não perdeu tempo. Logo, Nego do Borel foi associado como um apoiador do tal candidato. Da admiração inicial, o cantor foi acusado de oportunista ao fazer uso da estratégia do “pink money”, ou seja, utilizar da representatividade LGBT para lucrar. Também foi criticado o reforço dos estereótipos.

O funkeiro, ao saber da repercussão negativa, se justificou sobre a foto: “Eu não apoio o Bolsonaro. Esta foto foi tirada num jantar em que eu estava também, a pedido do filho dele. Não costumo negar tirar fotos com ninguém”. No entanto, existem outras postagens em redes sociais demonstrando sua admiração pelo deputado. Já sobre a personagem que interpretou no clipe, ele disse: “A Nega da Borelli é uma personagem que, pra mim, representa a liberdade de ser quem eu sou”.

Bem curiosa essa polêmica envolvendo o clip que prometia ser um “lacre” na cara da sociedade; mas, até o momento, gerou mais críticas e desconfortos. Um verdadeiro “close errado”! A polêmica está aí e serve para refletirmos. Usar de representatividade para conquistar um público do mercado requer coerência com posturas e escolhas na vida real. Não tendo isso, pega muito mal. Que outros artistas aprendam com isso!

Felipe Marcelino é professor de filosofia.

 

Edição: Joana Tavares