MOBILIZAÇÃO

Congresso do Povo: mobilização para mudar a política brasileira

No município de Campos dos Goytacazes dois seminários de formação do Congresso do Povo já foram realizados

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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Seminário do Congresso do Povo em Campos dos Goytacazes / Equipe Congresso do Povo - Campos (RJ)

O cenário político do Brasil tem causado muita decepção nos brasileiros. A cada eleição que passa o índice de abstenção no processo eleitoral aumenta. Na tentativa de reverter esse processo e encontrar soluções para os problemas enfrentados hoje pela população, os movimentos populares se uniram em prol de uma iniciativa que tem contribuído para o debate sobre a construção de um Brasil mais justo: o Congresso do Povo.

O diálogo é o principal instrumento do Congresso do Povo que surge no final do 2017 após a segunda Conferência da Frente Brasil Popular (FBP). A ideia é construir espaços de discussão sobre a conjuntura brasileira e mobilização em diversos lugares do país. Carolina Dias, integrante da Consulta Popular, umas das organizações que constroem a Frente Brasil explica que a metodologia de ação do Congresso do Povo reside em fomentar mobilizações territoriais, municipais e a partir daí migrar para organizações estaduais e nacional.

“Se a gente quer resolver a crise, devemos partir das experiências e da voz do povo, então precisamos dialogar com todos que pensam esse país. Cada atividade do Congresso do Povo parte de três perguntas: quais são os nossos problemas? Quais as causas? Como podemos resolver? Essas três perguntas nos colocam para pensar na realidade que estamos vivendo e cria as nossas próprias soluções populares”, destaca a professora.

A tentativa de responder as questões-chave apontadas por Carolina já estão acontecendo. No município de Campos dos Goytacazes, na região norte fluminense do estado do Rio de Janeiro, dois seminários de formação do Congresso do Povo já foram realizados, reunindo cerca de 400 pessoas.

A iniciativa reuniu professores e estudantes de universidades públicas, movimentos sindicais e coletivos ligados ao movimento negro, feminista e LGBTT. Ana Costa é professora do curso de Serviço Social da Universidade Federal Fluminense (UFF) e uma das organizadoras do movimento no município. Ela conta que durante o seminário foram apontados problemas locais que têm gerado transtornos na cidade, como relacionados à mobilidade urbana e ao desmonte da Petrobras.

“Uma questão que tem um rebatimento muito forte aqui na região são os royalties. A questão da privatização e a entrega da nossa maior empresa nacional ao capital estrangeiro, na verdade tem rebatimento nas políticas públicas. As verbas que vinham dos royalties tinham um papel fundamental na garantia de políticas nos municípios, o que tem prejudicado muito”, afirma.

Em todo o Brasil atividades como essa realizada em Campos estão ocorrendo. As etapas municipais do Congresso do Povo seguem até agosto. Em novembro todos os encaminhamentos retirados nos municípios serão reunidos em um debate estadual para então seguir para uma atividade nacional. Para saber mais informações sobre os comitês locais do estado do Rio e como participar, acesse a página da Frente Brasil Popular RJ no Facebook e envie a sua dúvida.

 

Edição: Mariana Pitasse