Contrainformação

Oficinas de comunicação popular criam canal de diálogo em ocupação de Londrina (PR)

As nove oficinas práticas foram tema de estudos da monografia do jornalista e professor Gabriel Ruiz

Brasil de Fato | Londrina (PR)

,
Já nos primeiros quatro meses de atividades, mais de 50 materiais haviam sido divulgados, entre vídeos, textos, fotos e ensaios fotográficos / Gabriel Pansardi Ruiz

O barracão da Ocupação Flores do Campo, situado na extrema região norte de Londrina, será transformado em sala de aula nesta quinta-feira (19). Trata-se da apresentação de um projeto de conclusão do curso de pós-graduação em "Comunicação Popular e Comunitária" da Universidade Estadual de Londrina (UEL), um trabalho sobre a prática de oficinas de comunicação realizadas na Ocupação Flores do Campo e aborda temas como comunicação comunitária, ativismo e conflitos urbanos oriundos de processos urbanizatórios.

Segundo o realizador do projeto, o jornalista e professor, Gabriel Pansardi Ruiz, o estudo é resultado de nove oficinas práticas de comunicação desenvolvidas entre julho e dezembro de 2017 na própria ocupação, que contaram com a participação de cerca de 40 moradores. O intuito das atividades foi auxiliar e instruir os habitantes do Flores do Campo a produzir e divulgar informações a partir do seu próprio ponto de vista: "A ideia surgiu porque costumeiramente veículos da imprensa londrinense publicavam informações incorretas e atacavam covardemente a dignidade dos moradores", explica.

Resultados e conquistas

Como resultado central, após as primeiras oficinas, foi criado um canal de comunicação da própria ocupação (http://facebook.com/OcupaFloresdoCampo), que serve para informar apoiadores, jornalistas e a população de Londrina em geral sobre o Flores do Campo e seus objetivos.

Já nos primeiros quatro meses de atividades, mais de 50 materiais haviam sido divulgados, entre vídeos, textos, fotos e ensaios fotográficos. Todos produzidos com alguma participação dos moradores. "A partir de uma demanda da comunidade do Flores do Campo, de se proteger de investidas da polícia e ter um canal de expressão, conseguimos compartilhar uma forma de o povo se comunicar, usando técnicas da comunicação popular e comunitária e do midiativismo", explica.

Sobre a ocupação Flores do Campo

O terreno localizado depois do final da Avenida Saul Enkind foi ocupado por aproximadamente 800 famílias em outubro de 2016, diante da paralisação das obras por quase um ano do empreendimento de mesmo nome do Minha Casa Minha Vida. A previsão inicial era de ser entregue em 2015 e é um projeto viabilizado pela Caixa Econômica Federal, em parceria com a Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar). A construção foi abandonada repentinamente pela Construtora Fórmula Empreendimentos Imobiliários, mesmo tendo recebido 70% do valor da construção da obra. Somente 48% do empreendimento foram executados.

Serviço:

Apresentação da banca "A Comunicação Popular e Comunitária e o Midiativismo em ação em uma ocupação urbana: a ocupação Flores do Campo - Londrina (PR)"

Hora: 19h

Local: Barracão da Ocupação Flores do Campo (O local ainda não tem endereço fixo, por isso indica-se esse ponto do mapa:https://goo.gl/maps/4hW1VJiy4xy)

Edição: Laís Melo