JORNADAS DE JUNHO

Condenados em protestos de 2013 denunciam criminalização de mobilizações populares

Oito dos 23 militantes políticos condenados pelo TJRJ acusaram seletividade da justiça brasileira

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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Coletiva de imprensa aconteceu no Sindicato dos Profissionais da Educação do Estado do Rio de Janeiro / Jaqueline Deister

Oito dos 23 militantes políticos condenados à prisão esta semana pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) pelos protestos realizados em 2013 e 2014 contra os gastos com a Copa do Mundo concederam uma coletiva de imprensa no Sindicato dos Profissionais da Educação do Estado do Rio de Janeiro (SEPE), nesta quinta-feira (19) no centro do Rio.

Entre os militantes presentes estavam estudantes e professores da rede pública de ensino e de universidade. Os manifestantes denunciaram a criminalização das mobilizações populares, a  seletividade da justiça brasileira em casos como o de Rafael Braga, Caio da Silva Souza  e Fábio Raposo Barbosa, os dois últimos foram acusados da morte do cinegrafista  Santiago Andrade da TV Bandeirantes em 2014.

Os militantes relataram que não se surpreenderam com a sentença. Durante as falas foi dito que o Brasil vive uma crise de representatividade e uma falsa democracia. Para Felipe Proença, que é educador e está entre os condenados, 2013 foi um divisor de águas das mobilizações.

“2013 não termina em junho, tivemos uma greve histórica na educação em outubro. Lutaremos para reverter a situação, a justiça não vai nos calar”, afirmou o professor.

Camila*, professora do curso de Filosofia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), que está entre os 23 condenados, destacou que o processo de criminalização sofrido pelos militantes é misógino. Ela ressaltou o ataque midiático a Elisa Quadros, também conhecida como Sininho.

“Vivemos numa sociedade machista e patriarcal. O sistema precisa requentar uma figura de uma mulher maléfica para criar uma realidade que seja crível. Não é diferente ser mulher no processo dos 23, é difícil ser mulher na sociedade, no processo dos 23 isso é ressaltado”, destacou.

Os militantes também ressaltaram que a lei antiterrorismo contribuiu para a criminalização das lutas sociais. O papel da mídia hegemônica também esteve entre os temas abordados. Elisa, que hoje é mãe, destacou os ataques da mídia na destruição de sua imagem.

“Parem de criminalizar a gente, nós não somos assassinos, parem de destruir as nossas vidas”, ressaltou.

O caso dos 23 está sendo denunciado para organizações internacionais de defesa dos direitos humanos, como a Organização das Nações Unidas (ONU) e Anistia Internacional.

 Na próxima terça-feira (24), às 18h, ocorrerá uma atividade em defesa dos 23 militantes no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), localizado no Largo do São Francisco, no centro do Rio.

*Camila preferiu não ter o sobrenome divulgado

Edição: Eduardo Miranda