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Mulheres são apenas um quinto dos produtores que administram propriedades rurais

Censo Agropecuário de 2017 também traz dados sobre alfabetização, idade e, pela primeira vez, cor ou raça do produtor

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Mulheres se organizam no campo durante Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra / MST

A participação feminina na direção de propriedades rurais está longe de ser equânime, mesmo que tenha aumentado na última década. Isso porque para cada mulher à frente de um estabelecimento agropecuário, quatro homens chefiam a produção.

De acordo com os primeiros resultados do Censo Agropecuário de 2017, divulgados nesta quinta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são 4,1 milhões de homens conduzindo propriedades rurais contra 945 mil mulheres.

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A participação delas, que representava apenas 12,6% de quem dirigia os estabelecimentos em 2006, corresponde a 18,7% em 2017 — quase um quinto dos produtores rurais. Essa proporção aumenta quando se considera as mulheres em codireção: dessa forma, 34,75% dos estabelecimentos agropecuários têm mulheres participando diretamente na direção dos trabalhos.

O Censo Agropecuário de 2017, que atualiza dados do Brasil agrário após 11 anos da realização da última pesquisa, também traz dados sobre alfabetização, idade e, pela primeira vez, cor ou raça do produtor. 

O recorte racial mostrou que a maioria dos produtores é negra: pretos e pardos somam 2,66 milhões, o que representa 52,8% dos produtores. Mais de 2,29 milhões se autodeclararam brancos, correspondendo a 45,4% do total. Índigenas somaram 56 mil e amarelos, 33 mil.

Outro dado que revela o perfil do produtor rural e o processo de envelhecimento no campo é a faixa etária dos produtores. Pessoas com mais de 60 anos correspondem a mais de 1,7 milhão de pessoas, ou seja, 34,2%. Já os menores de 30 anos não chegam a 280 mil. Eles equivalem a 5,4% dos produtores rurais.

Sobre alfabetização, os produtores que afirmaram que não sabiam ler e escrever somaram 1,16 milhões em 2017, representando 22,9% dos entrevistados. Já os que disseram saber ler e escrever correspondem a 3,8 milhões.

Taxa de ocupação

O Censo Agropecuário de 2017 mostrou que os estabelecimentos empregavam, em diversos regimes de trabalho, mais de 15 milhões de trabalhadores.  

No trimestre de julho a setembro de 2017, quando foi realizada a pesquisa, 91,3 milhões de pessoas estavam ocupadas no país, segundo o IBGE. Ou seja, os trabalhadores dos estabelecimentos agropecuários representavam 16,4% da população ocupada no país — taxa que permanece em queda.

Em dezembro de 2006, o número de trabalhadores em estabelecimentos agropecuários correspondia a 16,5 milhões de pessoas e a 18,9% da população ocupada no país na época.

Em 2017, das pessoas ocupadas nos estabelecimentos agropecuários, 10,9 milhões tinham laço de parentesco com o produtor. Isso representa 72,6% das pessoas empregadas e expressa uma queda, comparado a 2006. Há 11 anos, 77% dos ocupados tinham laços de parentesco com o produtor.

Energia elétrica

Os dados sobre o acesso à eletricidade também foram atualizados na pesquisa. No Censo Agropecuário de 2006, 68,1% dos estabelecimentos agropecuários atestaram possuir energia elétrica.

De lá para cá, houve aumento da cobertura: em 2017, mais de 4,2 milhões possuíam energia elétrica. Ou seja, 83% do total. Em 1996, apenas 39% informaram possuir energia elétrica.

Para a coleta do Censo Agropecuário de 2017, o IBGE visitou mais de 5,1 milhões de estabelecimentos agropecuários em todo o país.

Edição: Tayguara Ribeiro