Mouzar Benedito

Escritor, geógrafo e contador de causos.

Não tem campanha sem comício, nem comício sem bêbado

Comício realizado em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, em janeiro
Comício realizado em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, em janeiro | Crédito: Guilherme Santos/Sul21

Se o comício não tiver bêbado nem maluco, demonstra que você não tem prestígio

Vêm aí as eleições e fico pensando se haverá comícios. De uns tempos para cá, muitos políticos acham que basta a campanha pela televisão. Agora tem as tais de mídias sociais para convencer o eleitorado com notícias falsas divulgadas com muita eficiência.  

E os políticos poderão escapar de um tipinho incômodo para eles: o bêbado de comício.

O bêbado de comício fala alto durante os discursos, faz piada sobre as falas dos candidatos, desmente informações que eles dão, duvida da honestidade deles e das promessas que eles fazem.  

Ulysses Guimarães dizia que o mais chato dos chatos era o bêbado de comício. 

Mas, em Minas dizem: “Se o seu comício não tiver bêbado nem maluco, demonstra que você não tem prestígio”. Existe lá até um ditado sobre isso: “Não tem campanha sem comício, nem comício sem bêbado”

Miguel Arrais era um político que media a popularidade dos candidatos pela presença de bêbados e malucos em comícios. Em 1994, Rodrigo Rollemberg, candidato a deputado pelo PSB no Distrito Federal, ouviu de Miguel Arraes uma sentença:

– Pra ganhar, meu filho, tem que ter bêbado e maluco no comício.

Teve bêbado e maluco, e ele ganhou, foi um dos deputados mais votados.

Na primeira eleição a que o PT concorreu, Sandra Starling era a candidata a governadora de Minas, e contam que, num comício no norte do estado, quem estava completamente bêbado era o apresentador. 

Na hora de apresentar a candidata, ele se empolgou andando pelo palanque e falando no microfone e acabou caindo de uma altura de mais de dois metros. 

Ficou um silêncio danado, mas ele ficou de pé, levantou o braço com o microfone na mão para entregar a Sandra Starling e falou:

– A governadora pode falar daí de cima mesmo.

E há comícios em que o próprio candidato é que está bêbado. 

Adhemar de Barros, político dos mais tradicionais de São Paulo, foi fazer um comício em Aparecida, cidade da santa padroeira do Brasil, e havia uma multidão esperando a sua chegada. 

Dizem que ele chegou completamente bêbado. 

Abriram a porta do carro para ele, mas, ao sair, Adhemar se desequilibrou e caiu de cara no chão. 

Ficou aquela expectativa, todo mundo olhando… Deitado de bruços no chão, ele levantou só a cabeça e falou bem alto:

– Beijo esta terra santa…

Editado por: Michele Carvalho

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