Caravana

Cresce fome no Brasil por mudança em programas sociais, diz diretor da Asa

Em entrevista à Rádio Brasil de Fato, Alexandre Pires

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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O destino final será a cidade de Brasília, cidade na qual a caravana realizará um ato em frente ao STF / Divulgação

A Caravana Semiárido Contra Fome, que teve início nesta sexta-feira (27), teve como ponto de partida a cidade de Caetés, em Pernambuco.

Serão três ônibus que, saindo do agreste nordestino, irão passar por Belo Horizonte, Guararema, São Paulo e Curitiba antes de seguir para o destino final, Brasília, onde a caravana realizará um ato em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Idealizada por organizações, redes e movimentos populares do semiárido, a caravana tem o objetivo de denunciar que o Brasil caminha no sentido de voltar ao mapa da fome da ONU. Para falar sobre a caravana, a Rádio Brasil de Fato entrevistou Alexandre Henrique Pires, coordenador da Articulação do Semiárido Brasileiro (Asa).

Confira alguns trechos da entrevista:

Brasil de Fato – Por que o Brasil está correndo risco de voltar ao mapa da fome?  

Alexandre Pires – Desde o golpe de 2016, há uma mudança no direcionamento que o governo tem dado para os programas sociais. Há uma política de desvalorização do salário mínimo. As pesquisas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) têm mostrado que o governo fez um corte de mais de 1 milhão de famílias, que foram cortadas do programa Bolsa Família, programa de distribuição de renda que sempre teve um papel muito importante na soberania alimentar das famílias de baixa renda.

A gente também teve um corte de 95 por cento do programa de cisternas, que é um programa que atende as famílias que estão no semiárido e as famílias que ainda não tem acesso à água para o consumo humano. Estes são alguns dos programas que foram cortados.

E como isso se reflete no cotidiano das pessoas?

A gente vem percebendo o quanto tem aumentado as pessoas em situação de rua, porque não têm mais condições para pagar um aluguel, as pessoas não têm mais condição de comprar um botijão de gás, tem sido muito visível o número de pessoas pedindo comida nas ruas, nas praças e isso é algo que todos nós temos presenciado, em todo o Brasil. 

Edição: Tayguara Ribeiro