MOBILIZAÇÃO

Editorial | Semiárido denuncia volta da fome

Caravana Semiárido Contra a Fome cruza o país para denunciar retrocessos que atingem o povo brasileiro

Brasil de Fato | Recife (PE)

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Relatório do IBGE de 2017 aponta crescimento da miséria, fome e desigualdade no país / ASA Brasil

O Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo e, ainda assim, está longe de garantir o acesso de toda população a uma alimentação segura e saudável. Se os números de 2014 representavam a diminuição de 28,8% da população com privação de alimentos, nos últimos três anos esta tendência se reverteu. Relatório do IBGE de dezembro de 2017 demonstrou crescimento da miséria, fome e desigualdade no nosso país.

Josué de Castro não nos deixou dúvidas de que a manutenção da fome como problema é uma criação do ser humano, e que sua resolução se dá não pela ampliação da produção, mas por uma justa distribuição dos alimentos, dos recursos e da terra. Desta forma, a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) e outras organizações da Frente Brasil Popular estão organizando uma caravana por todo o país para denunciarem os frutos do golpe de 2016. Afirmam que o elevado aumento da fome e da pobreza são consequências de desemprego, da precarização do trabalho, de cortes nos programas sociais, de congelamento de gastos públicos e da retomada de políticas neoliberais nos últimos anos.

Começando 27 de julho, em Caetés (PE), serão percorridos mais de 4.300 quilômetros durante 14 dias. Serão feitas paradas estratégicas em Feira de Santana (BA), Belo Horizonte (MG), Guararema (SP), Curitiba (PR) até o destino final Brasília (DF), no dia 05 de agosto, onde pretendem denunciar ao Supremo Tribunal Federal (STF) a situação de fome que atinge o país. Os objetivos foram claramente delimitados para esse importante processo de mobilização social que serão construídos por todos esses territórios de passagem e de resistência popular: debater a situação política do Brasil; fazer uma denúncia muito clara sobre o tema da fome, e, por fim, a defesa da democracia.

Edição: Catarina de Angola