Mobilização

Trabalhadores sem-terra fazem ato para cobrar direitos em São Joaquim de Bicas (MG)

Eles pedem a suspensão de pedido de reintegração de posse das terras de Eike Batista, condenado por lavagem de dinheiro

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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Há um ano os sem-terra pedem para melhorar as estradas que dão acesso aos acampamentos e a população sofre com a falta de medicamentos / Foto: Reprodução

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realizou, na manhã desta quarta-feira (1), um ato para cobrar pautas importantes do poder público de São Joaquim de Bicas, cidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Lá estão localizados os acampamentos Pátria Livre e Zequinha.

A principal reivindicação foi a respeito de uma possível ordem de reintegração de posse, que estaria sendo articulada para que as famílias deixem as áreas. O complexo de fazendas ocupado está em nome do empresário Eike Batista, preso desde o ano passado por crimes de lavagem de dinheiro.

De acordo com um dos coordenadores do movimento, Toninho Almeida, o despejo ainda não foi anunciado oficialmente, mas já preocupa os moradores. "A gente pediu que a prefeitura intercedesse. Não vamos sair, vamos fazer o que for preciso, porque é uma questão de sobrevivência pra nós. Muita gente simplesmente não tem para onde ir", afirma. 

E essa não foi a única exigência ao Executivo municipal. Há aproximadamente um ano os sem-terra pedem para melhorar as estradas que dão acesso aos acampamentos e a população sofre com a falta de medicamentos no Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, existe a necessidade de mais professores da educação infantil, já que no Pátria Livre funciona a Escola Itinerante Elizabeth Teixeira. 

O transporte é outra questão. Para as crianças do Zequinha conseguiram estudar, elas precisam andar cerca de quatro quilômetros – distância entre um terreno e outro.

Para Toninho, o ato trouxe notícias positivas. O prefeito de Bicas, Guto Resende (DEM), recebeu os manifestantes e se comprometeu a analisar as demandas, inclusive a de reintegração de posse. Agora, o MST deve encaminhar um ofício à gestão municipal. 

Participaram do protesto jovens, religiosos, sindicatos e articulações do setor da educação. "Conseguimos fazer com que o prefeito se comprometesse com o povo e também conseguimos mostrar para a comunidade que fazemos parte da cidade", avalia o militante.

Edição: Joana Tavares