OFENSIVA

Sessão de estreia do documentário que homenageia Santiago Maldonado sofre ataque

Familias e organizações pedem respostas após um ano da morte; “Não há investigação quando é o Estado que se investiga"

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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O documentário questiona o que teria acontecido com Santiago Maldonado há um ano e quem seriam os responsáveis pela sua desaparição / Reprodução

Na data que marca um ano do desaparecimento e posterior morte do jovem ativista Santiago Maldonado, um grupo atacou, nesta quarta-feira (01), um teatro localizado em Buenos Aires, na capital da Argentina, durante a estreia de um documentário sobre sua vida, intitulado El camino de Santiago [O caminho de Santiago].

Os responsáveis atacaram o lugar com pedras, correntes e sprays, segundo o correspondente da teleSUR Edgardo Esteban, que afirmou também que “não havia nenhum segurança na quadra do local”.

Os meios locais afirmaram que as ações só provocaram danos materiais e nenhum dos presentes foi feriado. Os homens fugiram do lugar apesar de alguns presentes tentarem mantê-los no local.

O filme do cineasta Tristán Bauer, narra a desaparição forçada do militante e artesão e sua posterior morte. Com direção de Omar Quiroga e Florencia Kirchner, o esperado documentário coloca em cena três aspectos da vida (e do caso) de Santiago Maldonado: seu espírito livre e solidário, a política repressiva da administração Macri, com a criação da ideia de “inimigo interno” pelo governo argentino para reprimir os territórios mapuches e para proteger magnatas estrangeiros, entre eles, Luciano Benneton, que comprou grandes extensões de terra no país; e esta disputa histórica pela terra protagonizada pelos mapuche.  

Assim, o documentário reconstrói o que aconteceu entre os dias 31 de julho e 01 de agosto no território da comunidade mapuche em Cushamen, uma comunidade rural localizada no estado de Chubut, na região patagônica argentina, onde, em meio à repressão da polícia contra os manifestantes, Santiago Maldonado foi visto pela última vez.

Após o ocorrido nesta quarta-feira (01) durante a exibição do filme, um dos irmãos de Santiago, Sergio Maldonado, expressou sua consternação e lamentou “ter que suportar coisas assim num dia como esse”. Ele também afirmou que depois do primeiro ano da morte de Santiago “não tem como investigar quando o Estado investiga o próprio Estado. Eles continuam despistando e criando pistas falsas”.

Além do atentado ocorrido durante exibição do documentário, entre as diversas manifestações que aconteceram nesta quarta-feira (01) para relembrar a desaparição de Santiago e exigir justiça e verdade no caso, outros conflitos aconteceram. No final da manifestação realizada no centro de Buenos Aires, que reuniu milhares de pessoas, houve um confronto entre supostos grupos anarquistas com a polícia que respondeu com repressão e detenções arbitrárias.

Havia também uma ameaça de bomba na sede do canal C5N, que transmitia o ataque ao teatro. A ameaça foi descartada em seguida.

Pressão por respostas

Estes tensionamentos e confrontos acontecem em um contexto de aumento dos questionamentos protagonizados pela família de Santiago Maldonado e de organizações dos direitos humanos e movimentos sociais sobre a investigação da desaparição e da morte do jovem argentino.

Passado um ano, os culpados ainda não foram encontrados  e o único incriminado no caso até agora, o sub-tenente Emmanuel Echazú, que teria estado a menos de 70 metros do local onde foi encontrado o corpo. Echazú está em liberdade  e em janeiro deste ano foi promovido por uma decisão da Ministra de Segurança do país, Patricia Bullrich.

Outros fatores também contribuem para colocar em dúvida a versão oficial do governo sobre o caso, segundo a qual o corpo esteve no mesmo lugar por 78 dias. A família de Maldonado espera o resultado de uma perícia sobre o Documento Nacional de Identidad (DNI) que apareceu junto com o corpo em boas condições, o que é considerado uma contradição incriminatória.

A família de Santiago Maldonado ainda denuncia o Estado argentino por escutas ilegais e exige uma investigação imparcial e independente sobre o caso.

*Com informações da teleSUR e do Notas Periodismo Popular

Edição: Pedro RIbeiro Nogueira | Versão para o português: Luiza Mançano