Caravana

Artigo | Semiárido de resistência e voz altiva

"Em apenas dois anos voltam a aparecer a pobreza extrema, o desemprego e a fome, sob o silêncio da elite golpista"

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

,
Caravana vai percorrer mais de seis mil quilômetros / Foto: Júlia Rohden

O semiárido foi historicamente um lugar em que a pobreza e a fome, estiveram sob o controle dos coronéis e da elite da região. Mas seu povo provido de muita sabedoria e inteligência é marcado pela capacidade de resistir e de se insurgir contra as injustiças e as diversas formas de violência. Esse mesmo povo em sua resistência, se mostra capaz de construir seu próprio destino a partir dos seus saberes ancestrais e da convivência com a Caatinga.

Libertar-se da opressão colonizadora sempre foi uma tarefa permanente, e ao eleger um trabalhador do Semiárido para presidência do Brasil com a sensibilidade e capacidade política de reconhecer as condições de seu povo, gerou um marco histórico para suas vidas. Os vários programas e políticas públicas para a agricultura familiar e a Convivência com o Semiárido desde 2003 materializam as conquistas e mudanças para vida das pessoas.

O impeachment da Presidenta Dilma Rousseff e a prisão do Presidente Lula geraram um ambiente propício para o desmonte dos programas e políticas sociais de atendimento da classe trabalhadora por parte dos parlamentares que deram o orquestrado golpe em 2016. Em apenas dois anos voltam a aparecer aos olhos da nação e da comunidade internacional a pobreza extrema, o desemprego e a fome, sob o silêncio ensurdecedor da elite golpista brasileira.

Mas não poderia os povos do semiárido silenciar diante de tamanho retrocesso político e social e por isso a Caravana do Semiárido Contra a Fome, com a participação dos povos do semiárido, e sob a organização da ASA, MST, Via Campesina, CONTAG e Frente Brasil Popular, faz ecoar suas vozes para o mundo denunciando o rápido aumento das pessoas em situação de extrema pobreza e por consequência da fome no país.

A Caravana que vai percorrer mais de seis mil quilômetros denunciando as consequências de uma política e de um governo para a elite e não para os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil, manifesta solidariedade aos companheiros da Via Campesina que estão em greve de fome por justiça no judiciário, e também pela liberdade de Lula, cuja prisão tem claras evidências de natureza política. O semiárido não se falará diante das injustiças.

No semiárido a vida pulsa! No semiárido o povo resiste!

*Alexandre Pires é coordenador do Centro Sabiá e da Articulação do Semiárido – ASA.

Edição: Joana Tavares