ELEIÇÕES 2018

Futuro da candidatura de Marília Arraes deve ser definido neste sábado

No Encontro Eleitoral nacional, base do PT pode revogar aliança com o PSB em Pernambuco, mas mudança é tida como difícil

Brasil de Fato | Recife (PE)

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No Encontro Eleitoral do PT em Pernambuco, tese de candidatura própria venceu com ampla maioria / Comunicação/Marília Arraes

Na noite desta quinta-feira (2) a militância do Partido dos Trabalhadores (PT) de Pernambuco aprovou por maioria absoluta a tese da candidatura própria ao Governo do Estado, rejeitando a proposta de aliança com o PSB pela reeleição de Paulo Camara – uma costura liderada pelo grupo do senador Humberto Costa e chancelada pela Direção Nacional do partido. Nesta sexta o Diretório Nacional da sigla se reúne em São Paulo e o tema deve voltar à pauta, mas a avaliação é que nesta instância dificilmente a decisão pela aliança será revista.

No entanto, no Encontro Eleitoral nacional, que ocorre neste sábado (4), os 600 delegados de todo o país podem acatar a decisão do partido em Pernambuco e aprovar a candidatura própria encabeçada por Marília Arraes, vereadora do Recife e ex-militante do próprio Partido Socialista Brasileiro (PSB). A esperança do grupo pró-Marília é de que toda a mobilização pela candidatura própria tenha sensibilizado os delegados de outros estados do país. Mas a revogação da aliança é tida como difícil, pois alteraria os termos do acordo nacional com o PSB, que é a centralidade para o partido.

Arraes parece empatada com Paulo Camara nas pesquisas eleitorais para a disputa do Governo de Pernambuco. No segundo turno a petista leva vantagem. Caso seja retirada do pleito, Marília pode ser candidata à Câmara Federal. Após as definições, o PT pernambucano realiza sua convenção no domingo (5), mas o local ainda não foi definido. Confirmada a aliança, a convenção pode ser junto com a do PSB de Pernambuco, no Clube Internacional do Recife, a partir das 10h.

No acordo nacional com o PSB, o PT retiraria a candidatura de Marília, enquanto o PSB retira o nome de Márcio Lacerda da corrida pelo Governo de Minas Gerais, favorecendo a reeleição de Fernando Pimentel (PT). O partido também quis do PSB o apoio nacional à candidatura de Lula, mas a aliança não é aceita no PSB, que estaria mais próximo da candidatura de Ciro Gomes (PDT). Caso o nome de Marília seja mesmo retirado do pleito em Pernambuco, o PSB do estado se comprometeu em costurar um acordo para o partido ficar neutro nacionalmente, evitando a aliança com Ciro.

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Retirar a candidatura de Marília pela “neutralidade” nacional do PSB foi um ponto criticado por lideranças aliadas de Arraes, que veem como “muito pouco” o que o PSB está oferecendo. Aliados disseram que caso o partido firmasse apoio formal a Lula (PT) no plano nacional, ela acharia compreensível a retirada de sua candidatura, mas trocar uma candidatura com chances reais de vitória por um “não apoio” seria “aceitar migalhas”.

Paulo Camara também teria se comprometido com a defesa de Lula em Pernambuco e com a reeleição do senador Humberto Costa (PT) para o Senado. O PSB decide sua posição nacional neste fim de semana. O tópico também foi contestado, já que os petistas avaliam que Paulo Camara – com um governo desgastado junto à população e após ter apoiado o impeachment de Dilma e se aliado a Aécio Neves (PSDB) no segundo turno de 2014 – não teria condições políticas de defender Lula, mas que estaria buscando em Lula uma “tábua de salvação” para sua reeleição.

O PT terá mais de 20 candidatos à Câmara Federal e cerca de 30 à Assembleia Legislativa de Pernambuco. O senador Humberto Costa, apesar da desavença com a militância, teve seu nome aprovado para compor a chapa majoritária da sigla – independentemente de aliança ou candidatura própria, Costa disputará a reeleição ao Senado. Nos próximos dias o PT deve definir alianças para as disputas proporcionais, além de definir se disputará em “chapinha”, “chapão” ou sozinhos.

Edição: Vinícius Sobreira