Paralisação

Bancários do Paraná estão mobilizados contra retirada de direitos

Em assembleias na noite de ontem (08), bancários rejeitam proposta da Federação Nacional dos Bancos

FETEC-PR | Curitiba (PR)

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Assembleia em Curitiba, bancários deliberaram participar das mobilizações. / Renata Ortega

Na noite desta quarta-feira (08) a categoria bancária referendou a rejeição à proposta econômica apresentada pela Fenaban, representação patronal dos banqueiros, ao Comando Nacional dos Bancários na última reunião de negociação, realizada dia 07. Com lucro expressivo em 2018, de R$ 20,3 bilhões nos três primeiros meses do ano juntando as cinco maiores instituições financeiras do país, os banqueiros ofereceram somente reposição da inflação para verbas salariais, benefícios e participação nos lucros. Isso significa que o lucro aumentou 18,7% no comparativo com 2017, mas o repasse pretendido aos trabalhadores seria equivalente a uma projeção de 3,9%, para a data-base em 01 de setembro.

As assembleias dos trabalhadores bancários do Paraná, realizadas pelos sindicatos de Curitiba, Londrina, Guarapuava, Arapoti, Campo Mourão, Umuarama, Cornélio Procópio, Apucarana, Paranavaí e Toledo também deliberaram sobre as atividades de mobilização para a próxima sexta-feira (10), "Dia do Basta" contra os retrocessos e corte de investimentos convocado pelas centrais sindicais.

Em Curitiba, um ato reúne as diversas categorias cutistas de trabalhadores em frente à sede da FIEP, federação patronal das indústrias, na Av. Cândido de Abreu, no Centro Cívico, às 11h. Mais cedo, os petroleiros realizam manifestação em frente à Repar, em Araucária, a partir das 7h. Os bancários deliberaram em assembleia participar das mobilizações.

Nas regionais do Vida Bancária, haverá panfletagem em Londrina e retardo de abertura das agências bancárias em Apucarana e Cornélio Procópio. Já os sindicatos da regional Pactu realizam paralisação nos mesmos moldes nas cidades de Paranavaí, Guarapuava, Umuarama e Campo Mourão. “Ressaltamos a importância da efetiva participação dos bancários e bancárias neste dia de atos públicos, Dia do Basta, pois estamos em plena campanha salarial da categoria bancária, os bancos não apresentam proposta decente e somente a união da categoria e de toda a classe trabalhadora poderá reverter esse quadro”, explica Sandra Homeniuk, representante da regional Pactu.

Entenda a Campanha Nacional dos Bancários 2018

Os bancários retomaram pela primeira vez a negociação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), que tem abrangência nacional e é válida para os trabalhadores de todos os bancos, públicos e privados, após a aprovação da Reforma Trabalhista, que alterou a legislação. A assinatura do último acordo, em 2016, foi formalizada com vigência para dois anos e isso protegeu os trabalhadores no período de transição.

Nas negociações de 2018, diversas garantias conquistadas nesses 26 anos de CCT nacional estão ameaçadas, especialmente pela recusa dos representantes dos banqueiros em garantir a ultratividade a partir de 01 de setembro, que era a permanência da CCT em vigência durante o período de negociação até que nova convenção seja assinada. Paralelamente à negociação para toda a categoria, que ocorre entre a Fenaban e o Comando Nacional dos Bancários, formado por dirigentes sindicais de todo o país, são realizadas mesas de negociação em separado com os públicos Banco do Brasil e Caixa Econômica, que estabelecem um Acordo Coletivo a mais para esses trabalhadores. As reuniões de negociação são temáticas por eixos: remuneração e igualdade de oportunidades, saúde, segurança e condições de trabalho, e emprego. Até o momento foram cinco rodadas de negociação até a apresentação da primeira proposta, em 07 de agosto. Uma nova reunião já está agendada para o dia 13.

A pauta de reivindicação dos trabalhadores bancários tem como uma das prioridades a proteção ao emprego bancário e o combate às terceirizações no setor, pois a reforma trabalhista oportunizou a substituição de trabalhadores da categoria com diversos direitos assegurados por contratações fora da abrangência da convenção, reduzindo custos para os bancos, mas também piorando consideravelmente as condições de trabalho e precarizando o atendimento à população. Esse processo de fechamento de vagas, muitas vezes não repostas, atingem também os bancos públicos, cenário que se acentuou após o golpe de 2016, em que BB e Caixa deixaram de promover concursos públicos, aplicaram reestruturações que reduziram remunerações e promoveram programas de desligamento, enxugando os quadros e afetando a qualidade no atendimento ocasionada por sobrecarga de trabalho. As “propostas” dos representantes dos bancos públicos também incluem a retirada de itens vigentes nos acordos coletivos, promovendo mais um ataque aos trabalhadores, com retirada de direitos adquiridos.

“Os bancos cada vez mais demonstram que não vão abrir mão de seus privilégios e de fazer uso da reforma trabalhista para retirar direitos que temos garantidos pela convenção coletiva de trabalho. Somente com mobilização massiva dos trabalhadores bancários essas conquistas serão preservadas e resistiremos às tentativas dos banqueiros de precarizar as condições de trabalho. Por isso é importante que os trabalhadores apoiem e participem das manifestações, começando pelo Dia do Basta, apoiando as ações organizadas pelos sindicatos, para fortalecer essa luta que é de todos nós”, convoca Junior Cesar Dias, presidente da FETEC/CUT/PR.

Edição: Laís Melo