Eleições 2018

Candidatos progressistas querem rever atos de Temer e criar empregos

Boulos apresentou propostas mais claras sobre o que um governo deveria fazer para superar a crise do Brasil

RBA

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Boulos e Ciro: únicos representantes de propostas de centro-esquerda no primeiro debate dos presindeciáveis / KELLY FUZARO/BAND

O quinto bloco do primeiro debate dos candidatos oficiais à presidência da República na TV Bandeirantes terminou com generalidades. Guilherme Boulos (Psol) foi o mais contundente nas “considerações finais”, assim como no início do evento da Band: “O nosso projeto é o de Paulo Freire, Zumbi dos Palmares, Marielle Franco”, resumiu.

Ciro Gomes (PDT) prometeu combate aos privilégios. Ele se comprometeu a restaurar a atividade econômica criando 2 milhões de empregos.

Marina Silva (Rede) afirmou genericamente que é candidata “para que esse país não seja apenas admirado pelas exceções". Citou pessoas que passam nos concursos públicos, apesar da péssima educação do país, e concluiu: “Eu mesma fui uma exceção”.

Geraldo Alckmin (PSDB) defendeu sua aliança com o “centrão” como necessária à  governabilidade. “Uma coisa é falar, outra é fazer. Vamos fazer o ajuste fiscal pelo lado da despesa”, prometeu. Garantiu que com seu governo o Brasil vai voltar a crescer “com muita fé em Deus”.

Bolsonaro (PSL-RJ) proclamou que “só tem um que pode mudar o destino do Brasil: esse chama-se Jair Bolsonaro”. Um homem “que tem deus no coração”, segundo ele mesmo.

Álvaro Dias (Podemos-PR) se comprometeu a “acabar com todos os privilégios das autoridades”, e concluiu: “teremos Sergio Moro ao nosso lado”.

A despedida realmente patética foi a de Cabo Daciolo (Patriota), que clamou no início e ao fim de sua despedida: “Glória a Deus!”

Repercussão

Apesar de boa parte do campo da esquerda estar atenta ao #DebateComLula, entre Fernando Haddad, Manuela D’Ávila, o debate da Band repercutiu nas redes sociais entre os aliados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, impedido de participar do evento pela Justiça.

Apoiadora de Boulos, a economista da Universidade de São Paulo Laura Carvalho aplaudiu a fala do candidato do Psol sobre o aborto: “A resposta direta sobre aborto nesse debate é o que torna a candidatura do @GuilhermeBoulos tão necessária”, escreveu no Twitter.

A deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) atacou Bolsonaro, o qual venceu em ação por incitação ao crime de estupro. “Você sabe o nome do candidato contra as mulheres. Ele quer salário menor para mulheres, diz que Estado não deve fazer nada contra a discriminação, é réu no STF por apologia ao estupro e foi condenado por danos morais no STJ em processo que movi contra ele. Fora Fascismo!”, escreveu.

Maria do Rosário criticou também a fala de Bolsonaro no debate na qual o candidato do PSL defendeu um projeto de sua autoria que propõe a castração química para presos, para combater violência contra a mulher. “O estupro não é feito só com corpo, mas pelo poder. Ele mesmo diz ‘que não estupra porque não quer’. Usam armas, objetos. Na ditadura que Bolsonaro gosta tanto estupravam mulheres até com animais. Não o apoie”, disse a deputada gaúcha.

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) destacou no Twitter uma frase de Guilherme Boulos que repercutiu nas redes, sobre o candidato do MDB Henrique Meirelles, responsável pelas políticas econômico-sociais do governo Temer. “Não é certo dizer que Meirelles é o candidato do Temer. Porque aqui tem 50 tons de Temer!”, disse o petista, citando o candidato do Psol.

Edição: RBA