Marcha Lula Livre

Ediomar do Nascimento: "Só com a luta que se conquista vitórias"

Marchando aos 67 anos, a caminhada não assusta o trabalhador que incentiva os outros participantes

Brasil de Fato | Luziânia (GO)

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Natural de Vitória (ES), os 19 anos participando do MST levaram Ediomar a morar em diversos estados do país.  / Lu Sudré

"Essa caminhadinha de hoje é muito pequena para mim". Marchando aos 67 anos, os 18km de Luziânia até Valparaíso de Goiás não assustam Ediomar Tristão do Nascimento, pelo contrário. Ele distribui incentivos aos marchantes que caminham ao seu lado. 

Natural de Vitória (ES), os 19 anos participando do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) levaram Ediomar a morar em diversos estados do país. 

Para ele, carregar a bandeira do MST vale muito a pena. "Se não fosse o Movimento, nós não conseguíamos nada. Seríamos escravos. Graças a Deus surgiram os movimentos sociais para nos ajudar."

Pai de quatro filhas, atualmente mora com sua esposa no Acampamento 3 Coqueiros em Iaras, município do interior de São Paulo, e que há 5 anos espera tornar-se um assentamento. 

"Essa demora pra assentar é o pouco caso dos nossos representantes políticos. Tem muitas fazendas improdutivas por perto que já eram pra ser nossas há muito tempo. Mas nessa 'democracia', esses políticos não tem interesse por nós, por isso que demora esse tanto", lamenta Ediomar. Apesar das dificuldades, ele tem a certeza que "só lutando se consegue algum direito hoje em dia nesse país." 

É essa certeza que também incentiva o acampado a lutar pela liberdade de Lula ao lado de seus companheiros. 

"Nossa motivação para estar aqui hoje é Lula Livre. Eles tem que soltar o Lula imediatamente, que é da classe trabalhadora. Antes de ser presidente, ele já estava no sindicato defendendo os trabalhadores", ressalta Ediomar. "Lula foi o melhor presidente que já tivemos no nosso país".  

Maria Cícera, presente!

Com o olhar atento para a Marcha, Ediomar revela estar preocupado com a segurança dos manifestantes. 

Ele não consegue conter as lágrimas ao se lembrar de Maria Cícera Neves, militante do MST que em 2009 morreu atropelada durante marcha estadual de Campinas a São Paulo, que a partir de então, em homenagem, tornou-se a Marcha Estadual Maria Cícera. 

"Moravamos encostado, pertinho um do outro. Ela foi uma grande companheira. Eu choro de lembrar, fico emocionado. Estou pedindo a Deus para nos ajudar nessa caminhada, para não acontecer nada de mal." 

A próxima parada da Coluna Prestes é na cidade Valparaíso de Goiás, que nos próximos dias marchará rumo a Brasília.

Edição: Tayguara Ribeiro