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Elba Ferreira: vítima de intoxicação por agrotóxicos vira militante pela agroecologia

Forçada a se afastar de área próxima à pulverização aérea, cozinheira entra para MST e inicia resistência contra venenos

Brasil de Fato | Samambaia (DF)

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"Tem muita gente doente e que nem sabe que está se matando com veneno”, alerta Elba Ferreira. / Leonardo Milano

Há três anos, a cozinheira Elba Ferreira, de 58 anos, trabalhava em um restaurante no município de Pedra Preta (MT), a 500 metros de uma fazenda que faz pulverização aérea de veneno em plantações de soja.

O mal-estar foi crescente até que um pico de alergia a impossibilitou de trabalhar. Elba teve que passar por tratamento médico por um ano, ela relata. 

Quando o quadro de intoxicação agravou, ela voltou para o estado que nasceu, Goiás, e entrou para o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). 

Lá, participou da ocupação do acampamento Leonir Orback, onde vive atualmente, na cidade de Santa Helena. No movimento, teve contato com as discussões sobre alimentação saudável e produção agroecológica.

“A gente aprende muita coisa nos processos de formação e também a viver em coletivo. Temos uma união muito grande dentro da ocupação”, conta. Elba participa de congressos e caravanas que disseminam informações sobre agroecologia.

Em Goiás, por exemplo, ela conta que o solo também passa por um processo de envenenamento no perímetro do acampamento por causa da cultura da cana-de-açúcar.

“A gente é o país que mais consome veneno, você sabia?”, ela questiona à reportagem no terceiro dia da Marcha Nacional Lula Livre, neste domingo (12). “A situação do agronegócio no estado do Mato Grosso é muito perigosa. Tem muita gente doente e que nem sabe que está se matando com veneno”, alerta.

Elba também se manifesta contrária ao PL do Veneno, projeto de lei que tramita no Congresso Nacional pela flexibilização do uso de agrotóxicos no país. “Esse projeto não pode ir para frente. A população deveria fazer manifestações de todo o tipo para diminuir o uso de veneno”, defende.

É a primeira vez que Elba participa de uma marcha do MST. Ela caminha na coluna Tereza de Benguela, que reúne alas dos sete estados da região Centro-Oeste e Amazônica onde o movimento atua.

No terceiro dia de marcha ela permanece animada e carrega uma placa denunciando o aumento do custo dos produtos essenciais para a população: “A gente não sabe qual será o preço da comida que vamos encontrar amanhã ao levantar”, critica.

A Marcha Lula Livre reúne cerca de 5 mil pessoas rumo à Brasília. Os marchantes chegam à capital federal em 14 de agosto, e, no dia 15, acompanham o registro da candidatura do ex-presidente Lula.

Edição: Daniela Stefano