Violência

Candidato do Partido Novo incita violência contra sem-terra em redes sociais

O ex-secretário pessoal de Alckmin é investigado pelo MP por improbidade e preside o Movimento Endireita Brasil

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Ricardo Salles é pré-candidato à deputado federal pelo Partido NOVO / Divulgação Facebook

Em postagem recente em sua página pessoal do Twitter, o candidato pelo Partido Novo a deputado federal, Ricardo Salles, deixou claro seu desejo de morte a pessoas de ideologias de esquerda, principalmente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). 

Na postagem, o candidato divulga seu número acompanhado da justificativa para a escolha, alusão a um calibre de bala utilizada em armamento pesado de caça. Salles justifica na postagem divulgada que a munição teria como alguns dos alvos: a esquerda, o MST e a “bandidagem do campo”. 

Ricardo Salles se apresenta como representante da "segurança no campo". Em sua página oficial na internet, as pautas se restringem a "legítima defesa" e "tolerância zero". No currículo, publicado na página do partido, elenca itens como segurança pública, privatizações e combate à corrupção, sem apresentar propostas. 

Perfil

Seu nome ganhou destaque em 2006 quando encabeçou o Movimento Endireita Brasil. Foi secretário particular do ex-governador Geraldo Alckmin, entre 2013 e 2014, cuja gestão é conhecida por comandar a polícia mais violenta dos últimos anos. De acordo com o 11º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, as intervenções policiais do estado de São Paulo foram responsáveis por 17,4% do total de mortes violentas de 2016. Maior que o dobro da proporção no Brasil, que é de 6,9%.

Em 2016, o advogado assumiu a Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo e neste período foi investigado pelo Ministério Público Estadual por improbidade administrativa. Ele também é acusado de envolvimento em alterações irregulares no Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental da Várzea do Rio Tietê. 

O Partido Novo se manifestou na rede social, afirmando que não compactua com apologia à violência e que, além de desaprovar a postagem do candidato, ele teria sido orientado. Mas, o ex-secretário de Alckmin – candidato à Presidência pelo PSDB – manteve o posicionamento e segue em tom de deboche nas postagens do Twitter. 

A reportagem entrou em contato com o candidato, porém não teve retorno até o fechamento da matéria.

Edição: Cecília Figueiredo