Entrevista

ENTREVISTA | O povo acordou, diz grevista de fome

Jaime Amorim falou por videoconferência ao blog Tutaméia

O militante Jaime Amorim, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra / Foto: Nacho Lemos / Telesur

“Estamos fazendo uma greve de fome contra a fome. Estamos colocando as nossas vidas a serviço da salvação do Brasil. Estão pisoteando a Constituição. Hoje quem está defendendo a Constituição não é o guardião da Constituição, mas o povo brasileiro”.

Palavras de Jaime Amorim, grevista de fome em entrevista exclusiva ao Tutaméia (acompanhe no vídeo abaixo). Para ele, esta semana é decisiva para o processo político brasileiro. O Supremo Tribunal Federal deveria pautar a questão da prisão em segunda instância e seguir a Constituição –que estabelece a prisão quando esgotados todos os recursos. Lula, portanto, deveria ser solto e ficar apto a participar das eleições.

Se o STF não fizer isso, “será um desastre para o povo brasileiro”, declara. E completa: “Esperamos que não sejam irresponsáveis” [e intervenham no sentido da garantia da democracia e do Estado de Direito]. Amorim destaca a importância da decisão da Comissão de Direitos Humanos da ONU, que determinou a participação de Lula nas eleições.

“Lula não praticou crime”, diz Amorim. Segundo ele, o movimento grevista “não é só pelo Lula ou pelo PT, mas por aquilo que Lula representa para o povo, a esperança”. Ele enfatiza que a prisão com condenação em segunda instância –como no caso Lula– hoje atinge um quarto dos presos. E acrescenta:

“Apesar do golpe e de todo esse retrocesso que vivemos, o povo brasileiro acordou, está percebendo que estamos vivendo um retrocesso histórico. E não vai permitir mais ser submisso aos interesses das elites brasileiras. Se o poder judiciário não resolver as questões –ele está politizado—e. se na política não se consegue mais resolver, o povo brasileiro vai saber como encontrar a forma de como tem que resolver. Se depender de nós, das nossas vidas, para garantir que essa parte possa ser resolvida, nós estamos colocando a serviço”

E segue: “Acima de tudo, o sentimento que temos é que o povo já definiu: vai exigir que Lula seja candidato à Presidência da República, vai eleger Lula presidente da República”.

Assentado no Nordeste e líder do MST, ele descreve os avanços na região durante os governos petistas e o desmonte efetuado pelos golpistas. “Está tudo destruído”, declara, ressaltando a volta da fome. Na raiz do processo, ele aponta interesses da elite aliada do capital estrangeiro na condução da “desconstrução da soberania”.

Amorim fala ao TUTAMÉIA no exato momento em que a greve de fome entra em seu 22º dia. Aos 58 anos, o pernambucano da Via Campesina está sentado numa cadeira. Diz que seguirá falando, mesmo quando só puder ficar deitado.

Explica a opção radical do grupo, formado por Frei Sérgio Görgen, 62, Gegê Gonzaga, 68, Zonália Santos, 48 anos, Vilmar Pacífico, 60, Leonardo Soares, 22, Rafaela Alves, 31. Eles estão em Brasília e têm acompanhamento médico. A greve de fome é histórico instrumento de luta. Gandhi a utilizou várias greves. Palestinos, irlandeses e muitos outros fizeram greves contra opressões.

Nesta entrevista, Amorim expõe pontos essenciais de um projeto de país. Pede a revogação das medidas do governo golpista, reformas política, agrária, tributária, urbana.

Edição: Diego Sartorato