ELEIÇÕES

Conheça as chapas majoritárias ao Governo de Pernambuco

São sete candidaturas ao Executivo estadual e 12 ao Senado.

Brasil de Fato | Recife (PE)

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As campanhas tiveram início no último dia 16. Primeiro e segundo turno acontecem nos dias 7 e 28 de outubro, respectivamente. / Cecília Bastos/USP Imagens

Faltam pouco mais de 50 dias para o 7 de outubro, data em que a população vai às urnas escolher deputados, senadores, presidente e governadores para os próximos quatro anos. Na semana passada tratamos das chapas proporcionais (deputados estaduais e federais). Hoje falaremos das chapas majoritárias. Em Pernambuco, os seis milhões 570 mil eleitores terão de escolher entre as sete candidaturas ao Governo do Estado e selecionar dois nomes entre os 12 disponíveis para ao Senado Federal.

A coligação que reúne mais partidos já mereceu uma matéria a parte, no fim de junho. Autodenominada "Pernambuco Quer Mudar", o grupo reúne 13 partidos de direita e centro-direita que compõem a base de sustentação do governo Temer. O candidato a governador pela chapa é o empresário e senador Armando Monteiro Neto (PTB), de 66 anos. Filho de uma tradicional família de políticos da Zona da Mata pernambucana, Armando passou por PSDB e PMDB, antes de chegar ao PTB, partido que integra desde 2003. Foi deputado federal por três mandatos (1999-2010) e senador (2011-2018). 

Assumiu o Ministério da Indústria e Comércio Exterior entre 2015 e 2016. Monteiro tem como candidato a vice Fred Ferreira (PSC). O vereador do Recife representa na chapa o clã familiar e religioso dos Ferreira, que integra a coligação. Os candidatos a senadores pela chapa são Mendonça Filho (DEM) e Bruno Araújo (PSDB), ambos deputados federais e aliados de primeira hora de Temer, tendo sido ministros do governo golpista.

A segunda maior chapa é da coligação "Frente Popular de Pernambuco", que busca a reeleição do governador Paulo Camara. Composta por 12 partidos sob a liderança do PSB, a coligação promete retomar um mais à esquerda, como quando foi criada ainda no período Miguel Arraes e reeditada no primeiro governo de Eduardo Campos. Desde 2011, com o projeto de Eduardo se candidatar à Presidência em oposição a Dilma Rousseff (PT), o PSB se afastou gradualmente do PT e firmou alianças à direita, mas iniciou um caminho de volta desde o impeachment da presidenta da República.

E para formar a aliança à esquerda, o PSB e o PT fizeram muitas costuras nacionais e, em Pernambuco, resultou na retirada da candidatura de Marília Arraes (PT) ao governo de Pernambuco e o retorno do Partido dos Trabalhadores à Frente Popular. Caso a coligação seja reeleita, a vaga de vice-governador deixa de ser ocupada por Raul Henry (MDB) e passa a ser ocupada por Luciana Santos, do Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Mas a composição das candidaturas ao Senado, colocando lado a lado Humberto Costa (PT) e o anti-petista Jarbas Vasconcelos (MDB) também revelam um pouco dessa costura ainda em construção.

A aliança entre o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e o Partido Comunista Brasileiro (PCB), coligação batizada de "A Esperança não tem Medo", escolheu a advogada e historiadora Danielle Portela (PSOL) para disputar o Governo de Pernambuco. Aos 43 anos, a recifense tem trabalhado como advogada principalmente em casos de violência contra a mulher, mas já atuou como professora universitária. Sua vice é Gerlane Simões (PCB). A olindense de 36 anos é estudante universitária do curso de Ciências Sociais e tem atuação um organizações comunitárias de sua cidade. Completando uma chapa majoritária 100% feminina, as candidatas a senadoras são a jornalista Albanise Pires e a advogada Eugênia Lima.

Na chapa "O Pernambuco que você quer", que reúne PDT, PROS e Avante, tem como candidato o advogado Maurício Rands (PROS), de 56 anos. Rands foi secretário no início da gestão João Paulo na Prefeitura do Recife e sua primeira disputa eleitoral já se saiu vitorioso, eleito deputado federal pelo PT (2003-2012). Em seu terceiro mandato na Câmara Federal, decidiu abrir mão do mandato e sair também do PT, após desgastes com disputas internas do partido. Passou um tempo fora do país, voltou já se filiando ao PSB e foi secretário no governo Eduardo Campos. Em 2015 comprou o jornal Diário de Pernambuco. Sua vice é a ex-vereadora Isabella de Roldão (PDT). Os candidatos ao senado pela coligação são Silvio Costa (Avante), que como deputado federal foi grande defensor de Dilma Rousseff; e Lídia Brunes, militante da luta por moradia.

Já o candidato da Rede Sustentabilidade, Júlio Lóssio, é um amazonense que veio para Pernambuco cedo. É médico oftalmologista formado na UFPE. No único cargo eletivo que ocupou, o de prefeito de Petrolina (2009-2015), conseguiu ser reeleito. Tem como principal marca de sua gestão a construção de 15 mil casas populares na cidade. Seu vice é o advogado e contador Luciano Bezerra, ex-vereador de Santa Cruz do Capibaribe, no Agreste. Ao Senado estão candidatos a advogada e professora Adriana Rocha, ex-vice presidente da OAB-PE; e o pastor e cantor Jairo Lima da Silva, o "Pastor Jairinho", da cidade do Paulista. 

O Partido da Causa Operária (PCO) lançara como candidata a Agente de Saúde Ana Patrícia Alves. A chapa conta também com Gilson Lopes de Oliveira como candidato a vice-governador. Para a disputa por uma cadeira no Senado Federal, a legenda oficializou o nome de Alex Lima Rola. O PCO terá um candidato a deputado federal e um a deputado estadual. O partido não faz parte de nenhuma coligação.

A professora do ensino fundamental Simone Fontana é a candidata do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU). Ela é natural do estado de São Paulo, tem 53 anos também é sindicalista ligada a Central Sindical e Popular (Conlutas). O candidato a vice na chapa é Jair Pedro, um dos fundadores do partido e a senador Hélio Cabral. 



Tempo de televisão

Tiveram início nesta quinta-feira (16), de maneira oficial, as campanhas eleitorais. Nos próximos 50 dias veremos muitas atividades de rua e, a partir do dia 31 de agosto, muita propaganda eleitoral na televisão e no rádio. A maior parte da população só conhece as propostas dos candidatos através dos horários eleitorais - e uma parcela considerável só conhece os candidatos devido a estas exibições de segunda a sábado, duas vezes por dia, às 7h da manhã e ao meio-dia. Portanto, ter uma fatia maior ou menor dos programas de 25 minutos costuma ser decisivo na disputa.

Nesse quesito, as duas grandes chapas largam na frente. A coligação encabeçada por Armando Monteiro (PTB), apesar de ter mais partidos, têm muitos grupos sem representação nacional e, por isso, reúne menos tempo. A soma dos 13 partidos dá à coligação Pernambuco Quer Mudar cerca de 8 minutos e 15 segundos de rádio e tv. Já a chapa liderada pelo governador Paulo Camara, apesar de ter um partido a menos, reúne 6 dos 7 maiores partidos do país. Portanto, a Frente Popular de Pernambuco tem 14 minutos e meio de horário eleitoral.

Com uma disparidade muito grande de tempo, vem a coligação "O Pernambuco que você quer", de Maurício Rands (PROS), com 1 minuto e 45 segundos para apresentar suas propostas. A união de PSOL e PCB, na coligação "A Esperança não tem medo", dá a Dani Portela apenas 25 segundos. As candidaturas de Julio Lóssio (Rede), Ana Patrícia Alves (PCO) e Simone Fontana (PSTU) terão menos de 10 segundos cada para chamarem a atenção do eleitor.

Edição: Monyse Ravenna