Riqueza

Editorial: A concentração de renda no Brasil e no mundo

A renda do povo brasileiro caiu 3,4% nos últimos quatro anos, o que coincide com o momento da crise econômica pós golpe

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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A renda dos 10% mais pobres subiu somente 65 dólares entre 1988 e 2011, enquanto a do 1% mais rico aumentou 11.800 dólares / www.expresso.pt

A renda está cada vez mais concentrada, no Brasil e no mundo, devido à organização atual de grandes empresas e bancos. É o que explica o livro “A Era do Capital Improdutivo” (2017) do economista Ladislar Dowbor, uma crítica à falta de regulamentação de bancos e grandes corporações frente aos Estados. De acordo com ele, 147 grupos – 75% deles bancos – controlam 40% das grandes empresas mundiais. Um poder maior que o de países! 

No plano mundial, o economista compara que a renda dos 10% mais pobres subiu somente 65 dólares entre 1988 e 2011, enquanto a do 1% mais rico aumentou 11.800 dólares, ou seja, 182 vezes mais.  

No Brasil atual, enquanto integrantes do poder Judiciário aumentam seus benefícios, uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que a renda do povo brasileiro caiu 3,4% nos últimos quatro anos, o que coincide com o momento da crise econômica e do posterior golpe de Temer. 

O interessante é a afirmação de Dowbor que, ao apostar na condição de consumo do trabalhador, que não acumula em bancos e faz girar a economia, trata-se de uma forma de gerar renda e aquecer a economia. Ele cita essa política usada no período de governos de Lula (2003-2010). E a desigualdade de renda é um desafio para as atuais eleições. 

Edição: Pedro Carrano