QUAL É O BAIRRO?

História de Peixinhos relata a urbanização da Região Metropolitana do Recife

O bairro se desenvolveu com empreendimentos no séc. XIX e atraiu pessoas de outros estados

Brasil de Fato | Recife (PE)

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O bairro fica na divisa entre Recife e Olinda / Daniel Pereira/Movimento Cultural Boca do Lixo

O bairro de Peixinhos carrega este nome devido situar-se junto ao rio Beberibe, na divisa entre as cidades de Recife e Olinda. Grande parte da população vivia da pesca daqueles “peixinhos” que ninguém sabia o nome. 

Peixinhos foi se desenvolvendo a partir de alguns empreendimentos, tais como o Engenho Nossa Senhora da Ajuda, o Curtume Santa Maria e o Matadouro que foram construídos entre o final do século XIX e início do século XX. Estes foram responsáveis em provocar um intenso fluxo migratório de trabalhadores de todo o estado de Pernambuco e também da Paraíba. Fonte de emprego, mas também de poluição, ao longo dos anos os resíduos configuraram praticamente a extinção do rio.

Na década de 1950, foi inaugurada a Fábrica Fosforita, que também contribuiu com o impacto da poluição, que já era grande devido à queima dos ossos de gado e crescimento desorganizado da população do bairro. Logo na década seguinte, a fábrica foi fechada, gerando contingentes de pessoas desempregadas e com dificuldades de moradia e condições básicas de sobrevivência.

Outro aspecto muito forte do bairro é que essa chegada de pessoas de vários lugares para residir no local, assim como o fato de ser o segundo bairro mais populoso do município de Olinda, configuraram um cenário cultural riquíssimo. Na década de 1970 grupos de artistas e militantes refundaram o espaço abandonado do antigo Matadouro em um lugar chamado Nascedouro e que foi palco de intensas movimentações culturais.

Somado a isso, o bairro conta com uma forte organização popular, que pode ser resgatada desde a década de 1980 motivados pela Teologia da Libertação e por Dom Helder Câmara. Daí em diante, muitos grupos tais como o Grupo de Saúde Condor e Cabo Gato, Grupo Comunidade Assumindo Suas Crianças, Balé Afro Majê Molê, Associação Cultural Nação Mulambo iniciaram atividades sociais junto às crianças e jovens do bairro, na perspectiva do resgate da cultural local e da sabedoria popular.

Edição: Catarina de Angola