Eleições 2018

Defesa de Lula vai à Justiça para que imprensa cubra campanha petista

Advogados anexaram à representação um levantamento que prova a diferença de tratamento entre os candidatos

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Haddad faz campanha junto ao governador do Piauí e candidato à reeleição Wellington Dias / Ricardo Stuckert

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou com recurso junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesta segunda-feira (27), com o objetivo de garantir que as emissoras de televisão concedam o mesmo espaço e tratamento que têm dedicado aos outros candidatos ao candidato do Partido dos Trabalhadores. 

Na petição, foram apresentadas provas que “demonstram que as emissoras têm deliberadamente escondido a campanha de Lula e de seu vice e porta-voz, Fernando Haddad”.

A defesa anexou ao pedido um levantamento feito entre os dias 20 e 24 de agosto e que inclui os principais telejornais do país. Segundo o estudo, o Jornal Nacional, da Rede Globo de Televisão, dedicou apenas 21 segundos à coligação "O povo feliz de novo", tempo utilizado unicamente para comunicar que não cobriria a agenda de Lula, sob a justificativa de que ele segue detido, há 142 dias, na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. 

No mesmo período, o principal telejornal da Rede Globo dedicou um total de cinco minutos para cobrir as campanhas de Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB), quatro minutos a Jair Bolsonaro (PSL) e um minuto para Álvaro Dias (Podemos), “que está em um longínquo sexto lugar nas pesquisas de intenção de voto”, apontam os advogados. Ainda segundo a representação, a Record e o SBT tampouco deram cobertura à campanha do PT em seus telejornais. 

Segundo Gleisi Hoffmann, senadora paranaense e presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, a estratégia da grande imprensa brasileira “fere a democracia” e coloca em questão a legitimidade do processo eleitoral.

“Infelizmente, os meios de comunicação têm ignorado o candidato com o maior índice de intenção de voto para as eleições, que é o presidente Lula. Também não acompanha a agenda do seu candidato a vice-presidente. É totalmente deformada a informação que passa ao eleitor nessa campanha eleitoral. Apesar de o presidente Lula ter direito de ser candidato e de ter sua campanha coberta [pela imprensa]”.

A campanha de Lula está nas ruas desde a última semana. Além de se comunicar através de recados e das visitas, o ex-presidente definiu como seu candidato a vice e porta-voz, Fernando Haddad, que esteve em caravana pelos estados do Nordeste nos últimos dias. A lei eleitoral veda qualquer tratamento privilegiado a um candidato ou candidata nas concessionárias de rádio e televisão.

“Requer-se, na presente representação, a concessão de liminar, para que seja ordenado às empresas representadas para, a partir da presente data, confiram a devida cobertura da campanha presidencial da Coligação 'O povo feliz de novo', por meio de sua agenda oficial e do próprio candidato Lula, devendo ser conferido tratamento isonômico entre as atividades destes e as dos outros candidatos ao mesmo cargo, com inserções em mesmo horário e com a mesma duração”, diz o recurso.

Leia aqui a íntegra da representação.

Edição: Diego Sartorato