Visibilidade

Mulheres lésbicas: visibilizar é preciso!

Dia 29 de agosto é o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, dia de afirmação e luta.

Brasil de Fato | João Pessoa (PB)

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O dossiê inédito publicado pela UFRJ sobre Lesbocídio trouxe dados alarmantes sobre casos de assassinatos e suicídios de lésbicas no Brasil. / Divulgação

O Dia Nacional da Visibilidade Lésbica foi instituído em 29 de agosto de 1996, quando mulheres lésbicas se reuniram no 1º Seminário Nacional de Lésbicas para debater suas pautas, tornando-se uma data de resistência à lesbofobia, isto é, ao preconceito, à discriminação e à violência contra lésbicas.

Vinte e dois anos depois, pouco se avançou. Nós, lésbicas, seguimos sub-representadas, seja nos espaços de poder ou na mídia. Temos nossas relações afetivas negadas, ao passo que somos hipersexualizadas e colocadas como objeto de fetiche dos homens. Nosso prazer sexual é um mito, ainda relegado ao imaginário masculino. Como uma das consequências desse tabu, não se tem acesso à saúde pública especializada, a exemplo da prevenção de DST’s entre mulheres do mesmo sexo.

A invisibilidade segue inclusive em espaços LGBTs, onde o desafio é enfrentar, além da lesbofobia, o machismo e toda sua estrutura patriarcal. A carência de dados relacionados à violência contra lésbicas impossibilita uma análise mais qualitativa e consequentes ações de combate à discriminação. O dossiê inédito publicado este ano, Lesbocídio - a história que ninguém conta, da UFRJ, trouxe dados alarmantes sobre casos de assassinatos e suicídios de lésbicas no Brasil, reforçando a necessidade de políticas públicas que protejam nossas vidas.

A negação da nossa sexualidade nos coloca em constante situação de risco. O ato de sair às ruas de mãos dadas com outra mulher pode ser ao mesmo tempo libertador e assustador; frases como “não gosta porque nenhum homem te pegou direito” e “quem é o homem da relação?” mostram como estamos longe de nos sentirmos seguras.

Falar de visibilidade é um grande desafio, sobretudo com o avanço do conservadorismo. Mas é necessário que o direito à fala e à expressão se faça valer, que sejamos protagonistas da nossa história, que estejamos nos espaços de poder, e que todo e qualquer espaço seja ferramenta para visibilizar nossas demandas. Queremos romper o silenciamento, viver o amor sem medo e resistir, para que nossa existência tenha corpo e voz, sendo eco para todos os outros dias de resistência e luta contra a lesbofobia.

*Contabilista, militante do Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD) e da Consulta Popular.

Edição: Paula Adissi