Opinião

Artigo | Visibilidade lésbica (?)

É preciso ter em mente a existência de uma enorme diversidade entre as mulheres que se relacionam com mulheres no mundo

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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Caminhada das Mulheres Lésbicas e Bissexuais de Belo Horizonte acontecerá dia 31 de agosto, às 16h, na Praça Sete / Foto: Steh Boaventura

Agosto, dia 29! Dia da visibilidade lésbica. Mas afinal, o que é visibilidade? Visibilidade é atributo ou condição do que é visível. Em relação à visibilidade lésbica, significa ver mulheres lésbicas em locais e meios de grande alcance. Ou seja, é expor a existência dessas mulheres. E o que é representatividade? Representatividade lésbica é expor os inúmeros tipos dessas mulheres. Para se ver representada, primeiro é preciso ver. Não há representatividade sem visibilidade. É preciso ter em mente, antes de tudo, a existência de uma enorme diversidade entre as mulheres que se relacionam com mulheres no mundo.

A discriminação tem base no preconceito, originado pela ignorância que, por sua vez, vem do estranhamento, resultante de uma invisibilidade. Tal invisibilidade afeta não só aquelas pessoas que experimentam um estranhamento quando veem duas mulheres juntas, mas também mulheres lésbicas que assim como eu se auto discriminaram na infância. Quanto mais visíveis as relações entre duas mulheres, mais comum se tornará, logo, menos estranhamento causará, principalmente entre as crianças e, consequentemente, entre os adultos.

Por isso é importante bater na tecla da visibilidade, pois sem ela não há o resto. Se a pessoa não existe, ela não é representada, ela não tem experiencias, não tem lugar de fala, consequentemente não se comenta sobre essa pessoa, não se faz políticas para tal, não é pensada a saúde para ela, não é cobrado respeito, não há direitos e nem condições de exigi-los!

Temos que mostrar que existimos! E uma das ocasiões para isso é a 14ª Caminhada das Mulheres Lésbicas e Bissexuais de Belo Horizonte que acontecerá dia 31 de agosto às 16h na praça Sete de Setembro. Um verdadeiro exemplo de representatividade e visibilidade, sempre construída por diferentes tipos de coletivos e mulheres que se relacionam com mulheres! Esse ano, o tema escolhido, “Marielle vive em nós: no amor, na luta, na política” explicita também o importante lado político da nossa luta. Ser chamada de sapatão ou lésbica não é apenas um rótulo. É um ato de militância. É uma diminuição diária do peso imposto a essa palavra. É enfrentamento de um sistema que nos exclui. É afirmar a nossa existência! Por isso eu digo, sou lésbica e existo!

*Fernanda Silva faz parte da organização da 14ª Caminhada das Lésbicas e Bissexuais de BH e é estudante de física da PUC Minas.

Edição: Joana Tavares