Eleições 2018

Bancário André Machado do Paraná é candidato a deputado federal

Candiato explica sobre a importância da categoria eleger seus representantes para que seus direitos sejam defendidos

Curitiba (PR)

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André Machado durante ato na Vigília Lula Livre / Joka Madruga

André Castelo Branco Machado é historiador, formado pela UFPR, e mestre em Tecnologia pela UTFPR. Se filiou ao Partidos dos Trabalhadores em 1999, aos 18 anos. “Iniciei minha militância no movimento estudantil, numa época em que as universidades públicas foram duramente atacadas pelo governo FHC. Fui bolsista de pesquisa e fiquei um ano sem receber bolsa. Essa era a realidade e hoje estamos voltando a viver isso. Fiz parte da coordenação da vitoriosa luta contra a venda da Copel e, em seguida, da greve das federais. Por conta dessas lutas, me convidaram para assumir a diretoria de Universidades Públicas da União Nacional dos Estudantes (UNE)”, diz.

Entrou no Banco do Brasil no primeiro concurso do governo Lula, junto a milhares de colegas, quando os bancos públicos voltaram a crescer. André avalia como positivas suas duas experiências eleitorais: “em 2012 me candidatei pela primeira vez a vereador em Curitiba, com muito apoio dos colegas bancários, fazendo 3200 votos. Todavia, não fui eleito, fiquei na suplência. Em 2016, novamente me candidatei a vereador, aumentando minha votação para 4000 votos, num ano difícil para o PT, logo após o impeachment da Dilma. Não tivemos votos suficientes para eleger mais de uma cadeira na Câmara Municipal e novamente fiquei na suplência”, conta. Atualmente é presidente do PT de Curitiba desde 2017. 

Confira a íntegra da entrevista com André Machado, que também fala sobre a importância da representatividade dos trabalhadores bancários no Congresso Nacional, ao citar o exemplo da deputada Erika Kokay, bancária de Caixa, que atualmente luta pela revogação da Resolução CGPAR 23, do governo Temer, que ameaça os planos de saúde dos trabalhadores das estatais:

Por que você é candidato nestas eleições?

André Machado – Porque a gente precisa construir um futuro diferente para o nosso povo. Os pais das gerações passadas tinham uma expectativa que seus filhos fossem ter uma vida melhor, mais escolaridade e oportunidades. Eu tenho dois filhos e tenho muita dúvida se eles terão uma sociedade melhor para viver daqui a alguns anos. A nossa geração está muito pessimista em relação ao futuro porque não acredita que as atuais instituições políticas serão capazes de promover qualquer avanço social. Nosso Congresso Nacional virou um balcão de negócio, os governos estão condicionados à ditadura da dívida pública e o judiciário se transformou em uma ilha de privilégios de uma elite avessa ao povo. Precisamos mudar essas instituições dos três poderes, dar mais transparência, mais democracia, mais justiça, mais respeito à vida e menos poder ao dinheiro. 

Acredito que eu posso contribuir para essas mudanças. Se elegermos o Lula/Haddad, a primeira medida a ser apresentada no Congresso deve ser de um plebiscito oficial para convocação de uma Constituinte exclusiva e soberana para refazer essas instituições. Temos que abrir o debate e apontar caminhos, sob base de um novo projeto de desenvolvimento soberano para o Brasil. Precisamos reconstituir a nação. Nesse sentido, é necessário revogarmos as medidas aprovadas pelo Temer que reduziram direitos e entregaram o país: reforma trabalhista, leilões do pré-sal, plano de privatizações, PEC da limitação dos gastos sociais, reforma o ensino médio. Ao mesmo tempo, precisamos propor as reformas estruturais tão necessárias ao povo: tributária, agrária, reforma política, auditoria da dívida pública. Não haverá perspectiva para o Brasil se não caminharmos por essa via, reduzindo desigualdades e incluindo novamente o povo no projeto de Brasil.

Por que é importante que representantes do movimento sindical tenham também atuação em mandatos políticos?

André Machado: O próximo período será decisivo no Brasil. Teremos duas opções: a continuidade do projeto do Temer, representado pelos “50 tons de Temer” desta disputa eleitoral, como bem lembrou o Boulos, ou um projeto popular, no qual o maior expoente é a candidatura de Lula/Haddad. Mas, em qualquer caso, serão os deputados da bancada dos trabalhadores que darão o tom da resistência ou dos avanços. São os deputados com origens nos sindicatos classistas de trabalhadores, dos diversos setores, que defenderão com unhas e dentes os direitos da classe trabalhadora.

Os sindicatos representam nossas categorias na relação entre patrões e empregados. Mas há questões que afetam os trabalhadores que são definidas pelos parlamentos e governos. Se não ocuparmos os espaços da política, não podemos influenciar nessas questões. Os banqueiros têm seus interesses e investem muito dinheiro para eleger os seus deputados. Os trabalhadores, que são a maioria, podem eleger os seus representantes, se tiverem essa consciência de classe.

O Congresso recém votou uma reforma trabalhista que retira direitos e permite a terceirização indiscriminada. A maioria patronal que domina o Congresso conseguiu, em uma medida, acabar com direitos duramente conquistados pelos trabalhadores em anos de lutas. Uma maioria de deputados que foi eleita com o voto dos trabalhadores. Não adianta reclamar do preço do leite e votar no dono da vaca. Por isso, é fundamental os trabalhadores elegerem trabalhadores.

Vejam como é importante eleger bancários. A deputada federal Erica Kokay (PT DF), que está atuando para revogar a Resolução CGPAR 23, do governo Temer, que ameaça os planos de saúde dos trabalhadores das estatais, é uma bancária da Caixa. Dificilmente teríamos uma defesa tão dedicada e qualificada dos nossos interesses enquanto trabalhadores se não a tivéssemos lá. Então, meus amigos bancários, elejam um de nós. Será quem você poderá contar e cobrar depois.

Quais serão suas principais linhas de atuação?

André Machado: Eu quero ser aquele deputado que vai ficar dizendo “vamos nos mexer, minha gente, porque as mudanças só acontecem com mobilização popular”. Esse é o princípio da minha atuação parlamentar: propor mudanças profundas no país e na política, absolutamente essenciais, que somente ocorrerão colocando o próximo governo e congresso na pressão.

Tenho muitas ideias para a democratização do esporte e da cultura, por exemplo, áreas que tenho atuado nos últimos anos, mas de nada adiantarão bons projetos se por 20 anos não haverá recurso para saúde, educação, infraestrutura, esporte ou cultura. Assim, nosso compromisso primordial é propor a revogação dessa emenda constitucional que limita os gastos sociais para o Brasil voltar a crescer e se desenvolver. Os recursos necessários para ampliar os gastos sociais virão da reforma tributária e da recuperação das reservas de petróleo entregues a preço de banana às multinacionais, lutas que iremos travar.

Por que é importante o movimento sindical se posicionar em defesa de liberdade de Lula?

André Machado: O Lula representa uma ideia, que está na memória das pessoas, de um Brasil inclusivo. Está no imaginário popular como uma liderança que lutou pelos trabalhadores, desde a sua origem no movimento sindical até quando assumiu a presidência. Ele representa a defesa das estatais e de um modelo de desenvolvimento mais democrático. Representa a distribuição da renda, os programas sociais que efetivamente reduziram a fome e diminuíram a miséria extrema; o aumento das vagas nas escolas técnicas e nas universidades, a melhoria do salário mínimo e a criação de um piso nacional aos professores; a construção de milhões de moradias, o acesso à energia, água e saneamento aos moradores dos lugares mais distantes; um crescimento da economia nacional e um protagonismo na política externa.

A prisão do Lula responde aos interesses dos capitalistas estrangeiros, com a conivência proativa das elites brasileiras, que não admitem nenhum projeto de país soberano que inclua o povo brasileiro. Querem o nosso país de joelhos e drenar tudo que podem. Isso não é novo. Na história do Brasil, todos os projetos nacionais populares sempre foram combatidos e esmagados, em geral com muita repressão. Acreditar que a prisão do Lula tem a ver com corrupção é de uma ingenuidade pueril. As pessoas já sacaram isso. Hoje há quem apoie a liberdade do Lula porque quer justiça e outros que desejam que ele fique preso somente para evitar que ele ganhe as eleições. A farsa da Lava Jato já está mais que evidente.

Estamos há mais de quatro meses na Vigília Lula Livre, ao lado da Polícia Federal, em apoio à liberdade do ex-presidente. O movimento sindical, de todas as centrais, tem participado ativamente deste processo. Isso porque, além de apoiar a justiça, os sindicatos compreendem que, resguardando sua autonomia, a única alternativa hoje é apoiar a eleição de Lula e Haddad, para termos um governo que preserve os direitos dos trabalhadores e represente uma possibilidade de futuro. Esse é um debate que a base deve participar.

Edição: Laís Melo