Opinião

Artigo | Golpe contra Getúlio segue atual

Ele teve um governo contraditório, mas também era odiado pela elite do Brasil por ter aumentado em 100% o salário mínimo

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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Wagner: "Hoje a CLT está rasgada, a Petrobrás sendo entregue e os direitos sociais sendo extintos" / Foto: Márcia Folleto/Agência Brasil

É preciso superarmo nossa incapacidade de apresentar a verdade a população brasileira. Não podemos deixar algumas oportunidades passarem. É impressionante como nos faz falta uma organização política forte para fazer a disputa da narrativa da história.

Vejamos. Getúlio Vargas quando participou da Revolução de 1930 tinha cinco fazendas. No dia do seu suicídio tinha três. Seu governo foi contraditório, por um lado foram 15 anos de ditadura, o Estado Novo. Mas por outro, era odiado por boa parte da elite brasileira, sobretudo pelo fato histórico de ter aumentado em 100% o salário mínimo em fevereiro de 1954. E, claro, pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Além de ter criado a Petrobrás.

Hoje a CLT está rasgada, a Petrobrás sendo entregue e os direitos sociais sendo extintos. Todos os nossos meios de comunicação, parlamentares, sindicatos e aliados deveriam neste momento estar falando desses fatos. Denunciando a presença e a atuação do imperialismo estadunidense para essa destruição. Expondo para a população o desmonte das bases de um projeto nacional e o atraso da nossa elite econômica e política.

Getúlio Vargas não conseguiu vencer a “república do Galeão”. Não podemos esquecer que no dia do suicídio, 24 de agosto, os operários quebraram os carros do jornal O Globo, invadiram a sede do Jornal Tribuna da Imprensa e Carlos Lacerda teve que fugir do Brasil.

Hoje temos a greve de fome de sete companheiros dos movimentos populares em defesa da democracia, temos a república de Curitiba fazendo uso do Judiciário para perseguir a esquerda, temos os nossos Lacerdas e a mesma Rede Globo. É preciso superarmos nossa incapacidade de fazer disputa para além da nossa bolha.

*Wagner Xavier é assessor do Sindágua-MG e pedagogo.

 

Edição: Joana Tavares